<T->
           Histria ParaTodos
           Histria -- 4a. srie
           Ensino Fundamental

           Conceio Oliveira 

<F->
Impresso Braille em 3 partes na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, da 1a. edio, So Paulo, 2006 da editora
Scipione.
<F+>

           Terceira Parte

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro 
           RJ -- Brasil
           Tel.: (0xx21) 3478-4400
           Fax: (0xx21) 3478-4444
          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
<P>
          Copyright (C) Maria da 
          Conceio Carneiro Oliveira

          Edio: 
          Solange A. de A. Francisco

          Assessoria pedaggica 
          (colaborao):
          Alessandra R. S. X. Oliveira
          Marco Antonio de Oliveira
          Maria Beatriz Meirelles Leite da Silva

          ISBN 85-262-5430-8 -- AL

          Av. Otaviano Alves de 
          Lima, 4.400 6 andar e andar 
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          CEP 02909-900 -- 
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          Tel.: (0xx11) 3990-1810
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<F->
~,www.scipione.com.br~,
e-mail: ~,scipione@scipione.~
  com.br~,
<F+>
<F+>
<P>
<F->
                               I
Sumrio

Terceira Parte

Unidade 3

A cara do Brasil no
  cabe num verbete -- 2 :::: 185
1- Uma histria sobre 
  tempos e datas :::::::::::: 186
Cadeira de balano: Agenda, 
  calendrio, correria:
  socorro!!!! ::::::::::::::: 186
Rota de viagem ::::::::::::: 194
Refletindo e produzindo com
  Duda e dona Maria
  Aparecida :::::::::::::::: 197
O tempo no pra ::::::::::: 198
Diferentes calendrios,
  diferentes marcos ::::::::: 201
Tempo e trabalho ::::::::::: 208
Para saber mais :::::::::::: 215
2- Aprender a conviver,
  aprender a transformar a
  dura realidade :::::::::::: 216
Rota de viagem ::::::::::::: 216 
<P>
Cadeira de balano:
  Megacidades, megaproble-
  mas: e as solues? ::::::: 220
Refletindo e produzindo com
  Carol e Tina :::::::::::: 227
As primeiras fbricas
  inglesas :::::::::::::::::: 229
Condies de vida e de
  trabalho dos operrios
  fabris no sculo XIX e
  incio do sculo XX ::::: 231
Pequena histria de uma
  data :::::::::::::::::::::: 235
O Primeiro de Maio no
  Brasil ::::::::::::::::::: 238
Quando o Primeiro de Maio
  virou feriado no
  Brasil ::::::::::::::::::: 241
O Primeiro de Maio nos
  tempos de Getlio :::::::: 243
O Primeiro de Maio dos
  anos de 1980 ::::::::::::: 247
Aprender a transformar a
  dura realidade :::::::::::: 250
Para saber mais :::::::::::: 253
3- Tempo de solida-
  riedade ::::::::::::::::::: 254
<P>
                            III
Cadeira de balano: Lies
  de vida ::::::::::::::::::: 254
Rota de viagem ::::::::::::: 260
Refletindo e produzindo com
  Tico e dona Maria ::::::: 262
Cidados e cidads
  solidrios :::::::::::::::: 262
Tempo e talento mudando
  vidas ::::::::::::::::::::: 264
Caminhos e parcerias para 
  transformar a cara do
  Brasil ::::::::::::::::::: 268
O direito  dignidade: a
  luta dos sem-teto ::::::::: 273
Para terminar, lembre-se:
  gente  pra brilhar! :::::: 276
Para saber mais :::::::::::: 280

Projeto interdisciplinar
  Teatro de bonecos:
  inveno e arte ::::::::::: 281

Glossrio :::::::::::::::::: 299
<P>
Caminhos on-line para
  saber mais  ::::::::::::::: 313

Outras sugestes de leitura
  para saber mais ::::::::::: 319
<F+>
<106>
<Thist. paratodos 4a.>
<T+185>
<R+>
Unidade 3

 A cara do Brasil no cabe num
  verbete -- 2
<R->

  Olho para o pas e enxergo: a pele spera das mos lavadeiras, esfregando a sujeira dos rios mortos, da terra envenenada, do ar que sufoca os pulmes. Vejo minha ptria e percebo: mos operrias, camponesas moldando riquezas em cidades e campos. Olho pra minha terra e observo: crianas que querem ser apenas crianas. Entre as favelas e manses as multides gritam por direitos, em filas interminveis, vislumbro: um fio de solidariedade tecendo a cidadania.

<107>
<p>
1- Uma histria sobre tempos
  e datas

<R+>
Cadeira de balano:

 Agenda, calendrio, correria: socorro!!!!
<R->

  Duda estava tomando banho, cantarolando um frevo no chuveiro:

<R+>
 "Eta frevo, bom danado!
 Eta povo, animado!
 Quando o frevo comea,
 parece que o mundo j vai se
  acabar
 h!
 Quem cai no passo no quer mais parar."
<R->

<R+>
Versos do frevo "Bom danado!", de Luiz Bandeira e Ernani Seve, 1954.
<R->

  -- Duda, ande logo com esse banho, menina!  preciso economizar gua e energia -- advertiu sua me, dona Maria Aparecida.
  A menina se apressou e saiu do banho, reclamando:
  -- Danou-se! Me, t abusada de ouvir falar em economia!  aqui, na escola, na televiso... No se pode mais nem tomar um banho!
  -- Tomar banho pode, s no pode esbanjar gua e energia. E arrume-se logo que vamos para as manifestaes do Primeiro de Maio.
  -- Ah! Por Deus, me! Hoje  feriado! Eu passei a semana toda tentando organizar minha agenda: escola, lies, aula de dana, aula de ingls, aula de informtica, aula de natao... T muito cansada! A senhora no tem pena de mim?
  -- Tenho, sim, Duda, e voc sabe que me canso tambm ao tentar organizar o meu tempo para lev-la em tantos lugares. E olha que ainda tenho de trabalhar na universidade e aqui em casa! Tambm estou exausta! Mas lembre-se: foi voc quem quis fazer tudo isso...
<108>
  -- Ah, me... T arrependida, no quero mais! Nem tenho tempo pra brincar... Por favor, me, no vamos nessa manifestao, no...
  -- Duda, no posso faltar. Tenho compromissos l e considero essa data muito importante.
  -- O dia do trabalho?
  -- No  "dia do trabalho". O Primeiro de Maio  o Dia do Trabalhador.
  -- No  a mesma coisa?
  -- No, de jeito nenhum. Essa data foi criada pelos trabalhadores do passado, para que ns, trabalhadores de hoje, fizssemos dela um dia de comemorao e protesto. Isso  muito diferente de dizer "dia do trabalho".
  -- Como assim?
  --  uma longa histria, no caminho eu explico para voc.
  -- Ah, no!  sempre assim, voc nunca tem tempo, est sempre correndo... Eu quero saber agora: afinal o tempo no  o mesmo pra todo mundo?
  -- Depende do que voc entende sobre o tempo. Por exemplo: quem vive nas grandes cidades sente o tempo de maneira diferente dos que vivem em povoados menores. Voc, por exemplo, estava reclamando de que anda muito cansada, porque no tem mais controle sobre o seu tempo... Uma criana que mora no serto, ou mesmo aqui em Recife, e no tem a oportunidade de fazer todas as atividades que voc faz para ocupar o tempo no deve sentir a passagem do tempo da mesma forma que voc sente.
  -- Elas devem ser bem mais felizes que eu...
<109>
  -- No sei, no. Algumas podem ser, mas aposto que muitas delas 
queriam ter as oportunidades que voc tem... Mas o que quero que voc 
perceba, minha filha,  que as pessoas que vivem e trabalham nas 
grandes cidades tm ritmos e horrios diferentes: algumas trabalham  
noite, em turnos. H indstrias nas quais as mquinas no podem ser 
desligadas, ento o ritmo do trabalho das pessoas  imposto pelas 
mquinas... Para as atividades realizadas nas cidades, principalmente 
nas grandes cidades, digamos que seja possvel "alongar" o dia, por 
causa da luz eltrica... No campo, isso at acontece, mas nas grandes 
reas de agricultura isso no  possvel.
  -- Hummm... com essa tal de "crise energtica", acho que os trabalhadores da cidade no continuaro esticando muito o dia, no. Lembra que voc me contou que no primeiro ano do sculo XXI muitas ruas daqui, e de muitas cidades, ficaram sem luz nenhuma... Eu vi isso na televiso. Na regio Sudeste, me, a situao da crise de energia eltrica foi gravssima em 2001!
  -- Bingo! Sabia que voc  uma menina muito esperta? Confesso que 
no tinha pensado nisso. Desde 2001 o governo procura solues para o 
problema de crise energtica. Mas, se a situao de 2001 se repetir, 
 possvel que grandes mudanas ocorram no ritmo em que as pessoas 
vm trabalhando, e tambm nos horrios de funcionamento do comrcio, 
das indstrias, das escolas, dos cursos noturnos, dos espaos de 
lazer, nos hbitos das pessoas que contam com todas as facilidades 
proporcionadas pela tecnologia e que dependem da ele-
 tricidade. Agora 
vamos, Maria Eduarda, pois j estamos atrasadas para o nosso 
compromisso.
<110>
  -- Tempo, tempo, tempo. Sempre o tempo! Olhe, me, eu j entendi que o tempo  importante, principalmente quando a gente est sem tempo. Mas eu preciso lhe dizer algumas coisas. Primeiro: esse compromisso  da senhora e no meu. Segundo: eu entendi que o tempo  sentido de forma diferente pelas pessoas, mas tem muita coisa que ainda no entendo.
  -- O qu, por exemplo?
  -- Quem foi que teve idia de inventar o calendrio?
  -- Xiiii... Que menina perguntadeira! Maria Eduarda, essa  outra 
longa histria, eu juro que conto no caminho, mas s para adi-
 antar, j vou dizendo que nossa conversa vai tratar de calendrios, 
no plural.
  -- Calendrios? E tem mais de um, ?
  -- Tem, sim, prometo falar de alguns, ainda hoje. Mais alguma pergunta, mocinha?
  -- Vrias! Tambm quero saber por que Primeiro de Maio  o Dia do 
Trabalhador, por que no  outro dia qualquer? Na verdade, me, eu 
quero saber o porqu desses dias... Todo mundo tem um: Dia do ndio, 
da Mulher, do Trabalhador, de Tiradentes, da Independncia, das Mes, 
dos Pais...
<111>
  -- So datas completamente diferentes, com sentidos e intenes completamente diferentes. Mas no se esquea de que no calendrio tambm tem Dia da Criana -- enfatiza dona Maria Aparecida.
  -- , tem realmente, mas no  feriado s porque  o nosso dia...
  -- Voc tem razo,  feriado nacional por causa da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.
  -- Viu? Criana no tem vez mesmo. Se eu tivesse poder de decidir, eu faria uma lei com uma semana inteira pra todas as crianas... No, pensando melhor, do jeito que estou cansada, eu queria era um ano inteiro no calendrio, para que a gente pudesse sossegadamente tomar banho, dormir e s brincar!
  Dona Maria Aparecida sorriu e enquanto seguia para as manifestaes do Primeiro de Maio, refletiu: "Preciso rever com urgncia a minha agenda e a de minha filha. Precisamos de mais tempo, com certeza! Afinal, o tempo no vai nos esperar at que encontremos tempo para ns..."

<112>
<p>
Rota de viagem

<R+>
_`[{foto 1: rvores com folhas secas_`]
 Legenda: Espanha, outubro, 2000.

_`[{foto 2: um jardim florido_`]
 Legenda: Brasil, setembro, 2001. 

_`[{foto 3: praia lotada de banhistas_`]
 Legenda: Brasil, janeiro, 2001.

_`[{foto 4: estrada e montanhas cobertas de neve_`]
 Legenda: Sua, janeiro, 1999.
<R->

  Responda oralmente:
<R+>
 1. De qual estao do ano voc mais gosta? Por qu?

 2. Embora as estaes do ano sejam as mesmas tanto no Brasil como na 
Europa, elas no ocor-
<p>
  rem no mesmo perodo. Faa uma pesquisa e 
procure descobrir:
 a) os dias e os meses em que inicia e termina cada estao do ano no Brasil e no continente europeu;
 b) as principais caractersticas de cada uma dessas estaes no Brasil e no continente europeu.
 Registre suas descobertas.

<113>
 3. A ilustrao a seguir foi publicada num jornal de
  *Stuttgart*, cidade que fica na atual Alemanha, durante as 
comemoraes do Primeiro de Maio, em 1898.
 a) Observe atentamente a sua descrio e leia a legenda que a acompanha.
 _`[{num quadro emoldurado de ramos de flores aparece uma jovem, com uma guirlanda florida nos cabelos, carregando uma cesta de flores_`]
 Legenda: No continente europeu o ms de maio  muito especial, pois 
l  primavera. Antes da criao das fbricas do sculo XVIII, os 
camponeses em muitas regies do continente europeu realizavam grandes 
festas para comemorar essa estao: comiam e bebiam muito, 
comemoravam o florescimento da natureza e tambm a abundncia de 
alimentos.

  Responda oralmente:
 b) Quando voc l a descrio da imagem, voc se lembra de alguma estao do ano? Qual? Por qu?

 4. Volte s descobertas que voc fez na atividade 2 e responda:
 a) Qual  a estao anterior  primavera?
 b) Quais so as principais caractersticas dessa estao na Europa? O que acontece no campo, nas estradas e com alguns rios e lagos?

5. Pensando nas caractersticas que voc descreveu na atividade anterior, explique por que a primavera era to festejada pelos camponeses europeus.
<R->

<114>
Refletindo e produzindo com Duda
  e dona Maria Aparecida

  Responda oralmente:
<R+>
1. Duda faz muitas atividades durante a semana e, alm do cansao, no est conseguindo administrar seu tempo. E quanto a voc? Considera importante conseguir organizar o seu tempo? Explique.

2. Consulte um calendrio e organize, por escrito, uma agenda de suas atividades semanais. Siga este roteiro:
 a) D um ttulo para a sua agenda: *Eu e meu tempo*.
 b) Pense em tudo que voc faz nos trs perodos de seu dia (por exemplo, de manh: acordar, arrumar a cama, escovar os dentes etc.). Faa o mesmo para a tarde e a noite.
 c) Inclua os horrios em que voc est na escola e aqueles que reserva para fazer as atividades escolares em sua casa.

  Responda oralmente:
 3. Depois de organizar sua agenda, observe suas anotaes e avalie:
 a) Aps cumprir todas as atividades dirias, quanto tempo resta para voc brincar e se divertir?
 b) Voc acha esse tempo suficiente? Por qu?
<R->

O tempo no pra

  Perceber a passagem do tempo e determinar formas de dividi-lo para organizar as atividades no  uma preocupao apenas das pessoas das sociedades modernas. Nas sociedades antigas, os povos tambm precisavam controlar o tempo para organizar atividades que eram fundamentais para a sobrevivncia dos seres humanos. Por exemplo: era preciso saber qual seria a melhor poca para o plantio, a colheita, a caa e a pesca, e era necessrio tambm escolher qual o melhor perodo para comemorar as festas religiosas ou realizar as atividades comerciais.
  Para ns, que atualmente contamos com marcadores de tempo precisos como relgios e calendrios, essa  uma tarefa fcil. Mas, antes de dispor desses marcadores, como voc acha que os seres humanos percebiam e marcavam a passagem do tempo?
<115>
  H milhares de anos, os seres humanos olhavam para o cu para observar as estrelas, o Sol, a Lua. Com base nessas observaes, foi possvel construir calendrios e relgios.
  Observe dois relgios antigos inventados pela humanidade:

<R+>
_`[{pote de cermica trabalhada_`]
 Legenda: *Relgio de gua, usado no Egito entre 1415 e 1380 a.C.* Esse pote de cermica, com um furinho para a passagem de gua,  um dos relgios mais antigos de que temos notcia. O pote tinha vrias marcas dentro dele. Colocava-se gua e,  medida que o nvel da gua que escoava pelo furinho baixava, contava-se o tempo, observando as marcas.
 
_`[{uma pedra circular marcada com linhas e nmeros a intervalos regulares, no centro h uma placa de metal_`]
 Legenda: *Relgio de sol, do sculo XVIII, usado na Polnia*. Por 
meio de um relgio de sol como esse, era possvel calcular as horas. 
Um ponteiro, feito de uma pea de metal fixada no centro do 
mostrador, projetava uma sombra. De acordo com a posio da sombra, 
calcu-
<p>
  lavam-se a altura do Sol e a hora aproximada.
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

  Voc se lembra de que dona Aparecida havia prometido contar a 
histria dos diferentes calendrios para Duda? Vamos conhecer um pouco sobre esse assunto?

<R+>
 Diferentes calendrios, diferentes marcos
<R->

  No se sabe quando foi criado o primeiro calendrio, mas um dos calendrios mais antigos  o judaico. Para o povo judeu, a data da criao do mundo, que, segundo a *Bblia*, aconteceu 3761 anos antes de Cristo nascer,  a data que marca o incio do seu calendrio.
  J os povos muulmanos, cuja religio  o Islamismo, consideram o 
incio do calendrio islmico o dia em que o profeta Maom, fundador 
dessa religio, fugiu de uma cidade chamada Meca para ou-
 tra chamada 
Medina. Isso foi no ano 622 do calendrio cristo. Esse fato foi 
chamado de Hgira, que na lngua rabe significa "emigrao".
<116>
  O calendrio usado no Brasil  o calendrio cristo ou ocidental. Ele foi elaborado com base em outro calendrio, para uso dos cristos catlicos, em 1582. Durante muito tempo ele s foi significativo para a cultura ocidental catlica, ou seja, para alguns povos europeus cristos catlicos e para povos, como ns brasileiros, que, por meio da colonizao europia, acabaram por adot-lo.
  Esse calendrio cristo  tambm conhecido pelo nome de gregoriano 
(**), por causa de Gregrio XIII, o papa (**) da Igreja Catlica que o instituiu. Como foi reelaborado pelos cristos, o marco inicial (o ano 1 desse calendrio)  o nascimento de Cristo. Os sbios que o criaram calcularam que Cristo havia nascido 1582 anos antes deles, e  por isso que hoje se pode datar a criao do calendrio cristo no ano de 1582.
  Mas como  que esses sbios chegaram a esses clculos? Para descobrir a data do nascimento de Cristo, eles basearam-se em outro calendrio que havia sido criado pelos romanos (o calendrio juliano) e foi usado at a instituio do calendrio gregoriano.
  Se j havia um calendrio, por que criar outro? O ano  determinado pelo movimento de translao. Para realizar esse movimento que a Terra faz em torno do Sol, ela demora 365 dias, 6 horas, 11 minutos e 53,7 segundos.
  Quando os romanos criaram o calendrio juliano, eles consideraram que esse movimento de translao durava apenas 365 dias e 6 horas. Com o passar dos anos, a soma desses minutos, segundos e milsimos de segundos deu cerca de 10 dias e comeou a acontecer um desvio de datas de incios de estaes. Por exemplo: no ano de 1582 a primavera, no continente europeu, iniciou em 11 de maro, quando deveria ter iniciado no dia 21 do mesmo ms.
  Nessa poca, a religio catlica se espalhava pela Amrica e o papa Gregrio XIII queria que os dias sagrados para os cristos fossem comemorados em todos os lugares em que eles viviam. Ento ele estabeleceu a reforma do calendrio juliano, que passou a ser chamado de gregoriano, para que pudesse ser usado por cristos que vivessem tanto na Amrica como na Europa.
  Atualmente, o calendrio gregoriano  aceito pela maioria dos povos, pois isso facilita a comunicao e o comrcio entre diferentes pases. Apesar disso, os judeus e os muulmanos mantm seus calendrios para comemorar suas festas religiosas. Essa foi uma forma encontrada por esses povos para preservar sua cultura.
<117>

  Agora vamos exercitar para aprender mais sobre a histria dos calendrios?

<R+>
1. Voc aprendeu que a passagem do tempo est ligada aos ciclos 
naturais. Mas a forma de contar, representar e marcar o tempo foi 
inventada pelos seres humanos. Para responder s questes a seguir, 
consulte o texto sobre diferentes calendrios, que comea na pgina 
XX.
  Responda por escrito:
 a) Que fato marca o incio do calendrio cristo ou ocidental?
 b) Que fato marca o incio do calendrio islmico?
 c) Que fato marca o incio do calendrio judaico?
<R->
<p>
  Segundo a tradio judaica, a data em que ocorreu o fato que marca o incio do calendrio judaico corresponde, no calendrio gregoriano, a 3761 anos antes do nascimento de Cristo.

<R+>
 2. Baseando-se no ano atual do calendrio gregoriano (que  o calendrio usado em nosso pas), descubra em que ano os judeus esto, de acordo com o calendrio judaico.
 3. A ilustrao escrita a seguir mostra como um mesmo dia  representado nos calendrios de trs culturas diferentes. Observe atentamente.
<R->
 
<R+>
 1 de janeiro de 2000
  Ocidental (Gregoriano)
 _`[{smbolo: a cruz_`]
  Baseado no ciclo solar, tem como referncia o nascimento de Cristo.
<p>
 24 de Ramad de 1378
  Islmico
 _`[{smbolo: lua crescente e uma estrela_`]
  A base  a Lua. Inicia-se com a fuga de Maom de Meca, em 622 d.C.

 23 de *Tevet* de 5760
  Judaica
 _`[{smbolo: estrela de seis pontas (estrela-de-davi)_`]
  Calendrio lunar, parte da criao do mundo, conforme a Bblia.
<R->

  Responda por escrito:
<R+>
 a) Quais so as trs culturas representadas na ilustrao?
 b) Quais so os smbolos usados para representar essas trs culturas?

<118>
 4. Voc j sabe que o calendrio usado em nosso pas  o calendrio ocidental ou cristo. Observe novamente a descrio da ilustrao da atividade 3 e responda por escrito:
 a) Que dia, ms e ano esto destacados no calendrio usado no Brasil?
 b) Nos calendrios islmico e judaico esse mesmo dia, ms e ano so contados da mesma maneira? Explique.
<R->

Tempo e trabalho

<R+>
1. Leia os versos da cano a seguir com seus amigos e suas amigas.
<R->

Corre-corre

Rita Lee e Roberto de Carvalho

<F->
O ano passado passou to
  apressado
Eu sei que foi um
  corre-corre-corre danado
O ano inteiro eu passei sem
  dinheiro
Eu sei que foi um tal de segurar
  essa peteca no ar
Como se fosse empinar papagaio
Nem sempre tem vento
Mas sempre tem jeito pra dar
Quando se trata de vida ou de
  morte
E se no me engano
No prximo ano
Vai vir aquela dose de cicuta que
  eu vou ter que engolir
Como se fosse um suco de fruta
Como se fosse eu a grande maluca
Corre-corre-corre
Corre-corre-corre
<F+>

<R+>
"Corre-corre", de Rita Lee e Roberto de Carvalho.
LP *Rita Lee*, Som Livre, 1979.

 2. Qual  a mensagem principal que Rita Lee transmite em sua cano? Discuta isso com seus amigos e suas amigas.

<119>
<p>
 3. Observe as tabelas a seguir e depois resolva as atividades propostas:

 Tabela 1 -- Alta geral
 Mdia de horas por semana trabalhadas pelas pessoas nos grandes 
centros do Brasil (1991 e 1999)
<F->
pcccccccccccccccccccccccccccccc
lEstados         _ 1991 _ 1999_
l:::::::::::::::::_:::::::_::::::w
lSo Paulo      _  40  _  41 _ 
lRecife          _  39  _  41 _
lRio de Janeiro _  39  _  40 _
lSalvador        _  39  _  40 _
lPorto Alegre   _  39  _  40 _
lBelo Horizonte _  38  _  39 _
v-----------------#-------#------#
<F+>
<p>
<R+>
 Tabela 2 -- Quem d duro 
 Mdia de horas por ano trabalhadas pelas pessoas em diversos 
pases (1999).
<R->
<F->
pccccccccccccccccccccccccccccccc
l Cingapura             _ 2387 _ 
l Hong Kong (China) _ 2287 _
l Malsia               _ 2244 _
l Tailndia             _ 2228 _
l Chile                 _ 2112 _
l Repblica Tcheca     _ 2062 _
l Estados Unidos       _ 1966 _
l Brasil                _ 1927 _
l Mxico                _ 1909 _
l Coria do Sul        _ 1892 _
l Japo                 _ 1889 _
l Turquia               _ 1875 _
l Austrlia             _ 1866 _
l Islndia              _ 1839 _
l Nova Zelndia        _ 1838 _
v------------------------#-------#
<F+>

<r+>
  Responda oralmente:
 a) Comparando os dados da tabela 1, houve aumento ou diminuio da mdia de horas trabalhadas pelas pessoas nos grandes centros brasileiros no perodo destacado?
 b) Voc v alguma relao entre os dados da tabela 1 e a cano *Corre-corre*? Explique.
 c) Que lugar o Brasil ocupa na classificao da tabela 2?
 d) Voc acha que, no Brasil, os trabalhadores dedicam muito tempo ao trabalho?

 4. Releia o trecho da crnica de Duda em que dona Aparecida afirma que est exausta. Segundo o texto, quais so os motivos que provocam cansao em dona Aparecida? Registre-os.
<120>

 5. Como voc verificou, dona Maria Aparecida no tem muito tempo para brincar e conversar com a filha. Responda por escrito.
 a) E voc e sua famlia? Como  a agenda das pessoas adultas que moram com voc? To ocupada como a de dona Aparecida?
<p>
 b) Os adultos de sua casa reservam horrios especficos do dia ou da semana para brincar e conversar com voc?
 c) Caso reservem, voc acha esse tempo suficiente?
 d) Se no reservam, voc acha importante que essas pessoas reservem algum tempo para voc?

 6. Leia, com ateno, este trecho de um artigo da revista *Veja*, publicado em 2000, sobre crianas e adolescentes que vivem nos Estados Unidos.
<R->

  "Uma pesquisa feita pelo Instituto Famlias e Trabalho, de Nova 
York, com mais de 1.000 crianas e adolescentes norte-americanos, mostra que apenas 10 em cada 100 entrevistados gostariam de ficar mais tempo com a me e 15 em cada 100 com o pai, s 20 em cada 100 acham que os pais trabalham demais e 50 em cada 100 entrevistados dizem que pai e me tm de trabalhar muito mesmo, para bancar as despesas da famlia."

<R+>
Adaptado da revista *Veja*. So Paulo: Abril, ano 33, n. 14, p. 129, 5 abr. 2000.

 7. Agora responda oralmente: qual  a sua opinio sobre esse tema? Voc discorda ou concorda com a opinio da maioria das crianas e adolescentes entrevistados? Por qu?
<R->

  Apesar de aprender muito sobre o tempo, at agora voc no descobriu quase nada sobre o Primeiro de Maio, no  mesmo? Para compreender a histria dessa data, temos de conhecer as condies de vida e de trabalho dos operrios dos sculos XVIII e XIX. A me de Duda est muito cansada para contar essa histria... Vamos, ento, pedir ajuda a Carol, que nos acompanhar no prximo captulo?
<p>
<R+>
Para saber mais

 *O giro das estaes*, reportagem da revista *Cincia Hoje das 
Crianas*, SBPC, ano 13, n 103, jun. 2000.
 *Tempo*, de Robert Snedden. So Paulo: Moderna, 1996.
 *Um passeio pelas estaes do ano*, de Samuel Murgel Branco. So Paulo: Moderna, 1999.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<121>
<p>
<R+>
 2- Aprender a conviver, aprender a transformar a dura realidade
<R->

Rota de viagem

<R+>
_`[{foto 1: cozinheiros de origem asitica ao lado de um cartaz com palavras em chins_`]
 Legenda: Cozinheiros chineses em restaurante em Londres (Inglaterra), 1999.
<R->
 
<R+>
_`[{foto 2: um homem com a perna amputada, num campo de refugiados_`]
 Legenda: Refugiados de guerra, Angola, 1999. 
<R->

  Atualmente, em muitos pases do mundo, famlias inteiras se deslocam para outras cidades, estados ou pases muito diferentes daqueles onde nasceram fugindo das guerras, do desemprego, da misria e buscando melhores condies de vida.
<p>
  Responda oralmente:
<R+>
 1. Ao observar a descrio das imagens acima, o que mais lhe chamou a ateno? Explique.
 2. Voc vive no lugar em que nasceu?
 3. Se no vive, quais foram os motivos que levaram sua famlia a se mudar?
<R->

<122>
<R+>
_`[{trs ilustraes.
  1: mapa-mndi "O Brasil no mundo", destacando no Brasil, o estado de So Paulo;
  2: mapa de So Paulo destacando na cidade de Santos, o porto de Santos;
  3: foto de um navio ancorado no cais_`]
<R->
<R+>
 Legenda: Entre o final do sculo XIX e o incio do sculo XX, muitas famlias no conseguiam mais viver no campo e eram obrigadas a partir para as cidades industrializadas. Muitas dessas famlias se deslocaram para pases distantes. A foto mostra um navio a vapor no Porto de Santos, no estado de So Paulo, no incio do sculo XX, e um dos mapas localiza esse porto.
<R->

<R+>
 4. Principalmente a partir de 1870, muitos imigrantes de diferentes lugares do mundo vieram para o Brasil. Pesquise e procure descobrir:
 a) De quais pases vinham esses imigrantes?
 b) Que motivos os fizeram vir para o Brasil?
 c) Em quais regies brasileiras houve maior concentrao de imigrantes?

<123>
 5. Observe com ateno a descrio das fotos a seguir e leia as legendas:
<R->

<R+>
_`[1: mulheres jovens e adultas numa fbrica de tecidos_`]
<R->
<R+>
 Legenda: Trabalho feminino, incluindo crianas, adolescentes e 
mulheres adultas, em indstria
<p>
  de seda, na cidade de Campinas (SP), 
no incio do sculo XX.
<R->
 
<R+>
_`[{2: homens controlam um guindaste_`]
<R->
<R+>
 Legenda: Operrios de uma fbrica de trilhos e equipamentos de ao fundido para ferrovias, armas e munies, na cidade de Essen (Alemanha), na segunda metade do sculo XIX.
<R->

<R+>
 6. Agora registre:
 a) A data de produo de cada fotografia e o local que cada uma delas retrata, de acordo com a legenda;
 b) A faixa etria, o sexo e o tipo de atividade realizada pelos trabalhadores de cada imagem;
 c) Escreva um pequeno texto sobre as condies de trabalho nas fbricas durante o sculo XIX e incio do sculo XX.
<R->

<124>
<R+>
 Cadeira de balano:

 Megacidades, megaproblemas: e as solues?
<R->

  A professora Isabel props  turma de Carol e Tina um projeto de pesquisa para estudar os principais problemas que afetam as megalpoles e quais as possveis solues para esses problemas. Como essas crianas vivem na cidade de So Paulo, uma gigantesca metrpole, no teriam dificuldades para fazer tal pesquisa, j que vivem em seu cotidiano os problemas dos grandes centros urbanos.
  A turma j havia levantado vrios temas: violncia, desemprego, crescimento desordenado da cidade, falta de moradias, carncia de hospitais, acmulo de lixo, falta de reas de lazer e de projetos culturais e educacionais que envolvessem crianas e jovens, transportes ruins, trnsito intenso, poluio do ar, dos rios e do solo... Enfim, a lista de problemas era enorme. Mas no bastava apenas apontar cada problema: era preciso estud-lo no tempo e no espao e depois pensar em solues para ele.
  Como havia combinado com Carol, Tina foi at a casa da amiga para que, juntas, pudessem decidir como e com que assunto trabalhariam.
  Tina tocou a campainha. Carol empurrou sua cadeira de rodas at a porta e a abriu.
  Tina encontrou a amiga numa tristeza sem fim. O motivo era a saudade do irmo Leandro, que havia emigrado para o Japo.
  Os pais de Carol, dona Terezinha e seu *Hiroshi*, no concordaram com a deciso do filho mais velho, mas Leandro estava convencido de que precisava buscar melhores oportunidades de emprego.
  Tina sabia da falta que o irmo fazia a sua amiga. Geralmente, era Leandro que levava Carol para passear; eles sempre foram muito amigos. Ela tambm sabia que Carol, mais do que nunca, precisava do seu apoio.
<125>
  -- Carol, no fique triste assim, talvez seja melhor para o Leandro! Ele estudou tanto e no conseguia trabalho aqui. Estava infeliz ajudando seus pais na feira...
  -- Tina, voc sabia que cerca de 120 milhes de pessoas no mundo vivem fora de seus pases para tentar sobreviver ao desemprego,  concentrao de terras, s guerras e a todas as conseqncias que esses problemas provocam?
  -- Nossa! 120 milhes...  muita gente! -- disse Tina.
  -- Muita gente que tem de enfrentar muitos problemas.  por isso, 
Tina, que eu tenho muito medo... Leandro foi para um pas estranho... 
Se no prprio pas da gente s vezes no somos tratados com justia, 
imagine sendo imi-
 grante!
  --  mesmo... Tem razo... Voc se lembra de quando estudamos a 
migrao e a imigrao? Ns entrevistamos meus pais, meus avs e a 
sua av *Satiko*... -- disse Tina.
  -- Lembro, sim, a gente aprendeu muito com eles! Como foi difcil a experincia deles, n? Os meus bisavs precisaram emigrar do Japo para o Brasil por causa da guerra, os seus pais e avs tiveram de migrar de Minas Gerais para So Paulo em busca de emprego. E agora o meu irmo est fazendo o caminho inverso dos meus bisavs. Queira Deus que ele no passe pelas mesmas dificuldades que meus bisavs passaram como imigrantes ao chegarem ao Brasil...
<126>
  -- Agora estou entendendo o motivo da sua tristeza, Carol...
  -- Tina, eu tenho medo que meu irmo sofra longe da gente, longe do 
pas dele. Aqui no Brasil existem muitos problemas. Ontem mesmo, na 
classe, ns falamos disso... Mas eu acho que tem uma diferena: aqui 
ns somos cidados, ns temos o direito e o dever de tentar mudar 
aquilo que no est certo. Mas num pas estrangeiro, isso  bem mais 
difcil...
  -- , e bota difcil nisso, Carol! Voc se lembra dos dados que a 
Isabel passou pra gente? No Brasil, setenta em cada cem pessoas vivem 
nas cidades. A maioria da populao dessas cidades  composta por 
migrantes, vindos do campo. A seca no Nordeste faz com que as pessoas 
deixem sua regio, assim como a terra concentrada nas mos de poucos 
proprietrios impede que os camponeses possam trabalhar no 
campo... Tem gente do Sul indo para a regio Centro-Oeste tentar 
construir uma vida melhor. H imigrantes de pases pobres da Amrica 
Latina, ou do continente africano, que vm para o Brasil com o mesmo 
objetivo...
  -- E tem gente, como meu irmo, que emigra, sai do seu pas para ir morar, trabalhar ou estudar em pases estrangeiros, como Estados Unidos, Japo, Inglaterra... Sabia que h grandes comunidades brasileiras nesses pases? Tina, o problema no so realmente as pessoas, mas o preconceito, a falta de direitos. Voc viu as matrias que a professora trouxe pra gente ler sobre as migraes de hoje? Viu o que acontece nas fronteiras do Mxico com os Estados Unidos? E o trfico de pessoas na Europa? Quanta injustia! Quanta explorao!
  -- Mas Carol, todo trabalhador que migra gera riqueza para o lugar em que vai viver com o seu trabalho... Ser que ningum v isso?
<127>
  -- E no  s riqueza feita com o trabalho, no. Eu estava pensando 
no que a gente j estudou: diferentes mundos se encontram com essa 
quantidade toda de gente circulando de um lugar para outro.  por 
isso que eu digo que as pessoas no causam problemas, o pro-
 blema  provocado pela falta de direitos.
  -- Carol, que tal a gente estudar o desemprego? Ele  um dos grandes motivos dessa movimentao de pessoas que deixam seu lugar de origem para se mudar para outros to estranhos
  -- No sei, Tina. Desemprego no  um problema s das grandes cidades Eu estava aqui pensando: um problema muito srio nas grandes cidades  a falta de moradia, e tambm acho que a casa, a rua, o bairro em que moramos  onde criamos os nossos laos. Dependendo de como vivemos, podemos nos sentir melhores ou piores
  -- Pode ser, porque o problema de moradia nas grandes cidades afeta principalmente os trabalhadores mais pobres, e  a histria deles que me interessa.
  Antes de Carol responder, dona Terezinha chegou com um envelope nas mos e anunciou:
  -- Carol, carta do Leandro para voc!
  Carol sorriu, empurrou a cadeira rapidamente em direo  me, pegou o envelope e, no mesmo instante, abriu-o. Mas, antes de ler a carta do irmo, voltou-se para a amiga e disse:
  -- Tina, as pessoas deveriam ser como as cartas de quem gostamos muito: saem de qualquer parte do planeta, vo para qualquer canto do mundo e so sempre bem recebidas!

<128>
Refletindo e produzindo com
  Carol e Tina

  Responda oralmente:
<R+>
 1. Carol est triste porque seu irmo emigrou para o Japo. Segundo a crnica que voc leu, responda oralmente:
 a) Por que as pessoas de muitas partes do mundo mudam-se para outros lugares?
 b) Quais so os receios de Carol em relao  ida de seu irmo para o Japo?

 2. Releia na crnica a proposta de estudo feita pela professora Isabel. Depois registre, a lista de problemas levantados pelos alunos da classe.

 3. Segundo a turma de Carol e Tina, esses so problemas que afetam as grandes cidades, como So Paulo, e outros centros urbanos do pas.
  Responda oralmente:
 a) Como  a sua cidade? Ela  pequena, mdia ou grande?
 b) Se voc fosse escolher um tema entre os que essa turma levantou para estudar, qual deles voc escolheria? Por qu?
 c) Existem problemas que afetam a populao de sua cidade e no fazem parte da lista feita pela classe da professora Isabel? Quais?
 d) Na sua opinio, quais so as solues para esses problemas?
<R->

  Carol e Tina, depois de muito conversarem, decidiram estudar a 
histria dos operrios fabris. Dessa forma, uniriam os interesses que 
cada uma tinha. Carol queria conhecer a vida dos muitos operrios que 
transformaram So Paulo numa megacidade e Tina queria saber quais os problemas que eles enfrentavam na poca em que foram construdas as primeiras fbricas na Inglaterra e no Brasil e como lutavam para resolver esses problemas. Vamos acompanhar tudo o que elas descobriram?

<129>
As primeiras fbricas inglesas

  No final do sculo XVIII, em algumas cidades da Inglaterra, algumas 
pessoas, que haviam ganhado muito dinheiro com o comrcio de produtos 
trazidos da Amrica e tambm com outras atividades, construram as 
primeiras fbricas de tecidos. Essas pessoas, donas de
indstrias que controlavam o trabalho de centenas de operrios 
pagando-lhes salrios, eram conhecidas como patres.
  Fabricar tecidos e outros produtos no era uma atividade nova. O 
que era novo era a forma, a maneira como os patres passaram a 
organizar o trabalho desses operrios. Antes das fbricas, os 
artesos faziam seus produtos em casa ou em pequenas oficinas e havia 
uma grande diferena entre os pa-
 tres dessas oficinas e os patres 
das novas fbricas que surgiram no sculo XVIII: os patres das 
oficinas eram tambm mestres, ou seja, ensinavam o ofcio a seus 
empregados. J os novos patres fabris geralmente no sabiam como 
fabricar o produto, mas tinham dinheiro para comprar mquinas, 
ferramentas, matria-prima e contratar pessoas para produzir e 
controlar a produo das mercadorias em suas fbricas.
  Durante o sculo XIX e incio do sculo XX outros pases da Europa, alguns pases da Amrica, como os Estados Unidos, e alguns pases do continente asitico, como o Japo, adotaram esse sistema para fabricar as mercadorias, ou seja, industrializaram a sua produo.

  Na seo Rota de viagem, no incio deste captulo, voc analisou algumas imagens de trabalhadores fabris do sculo XIX e incio do sculo XX. Ser que as concluses s quais voc chegou so parecidas com as descobertas feitas por Tina e Carol? Leia o texto a seguir e verifique.

<130>
Condies de vida e de trabalho
  dos operrios fabris no sculo
  XIX e incio do sculo XX

  Nas cidades industriais da Inglaterra, no final do sculo XVIII, e de outros pases da Europa, de alguns da Amrica e do Japo, no sculo XIX e incio do sculo XX, as condies de trabalho dos operrios eram muito difceis.
  Geralmente eles permaneciam muito tempo nas fbricas: cerca de 12 a 16 horas por dia! E nessas indstrias trabalhavam tambm crianas e mulheres. O trabalho era muito perigoso, havia riscos de acidentes e de contrair muitas doenas, como a tuberculose. No havia pausa para descansos, apenas poucos minutos para se fazer uma refeio. Durante todo o tempo que permaneciam nas fbricas, os trabalhadores eram vigiados pelos encarregados, pagos para control-los. As fbricas mais pareciam uma priso.
  Para piorar a situao desses trabalhadores, no havia nenhuma lei que os protegesse. Caso se acidentassem no trabalho e no pudessem continuar trabalhando, no tinham como viver. Na velhice, no tinham aposentadoria; as mulheres, quando ficavam grvidas, no tinham um perodo de licena no fim da gravidez nem nos primeiros meses aps o parto, como acontece nos dias atuais.
  Devido aos salrios muito baixos, insuficientes para manter suas famlias, as condies de vida desses trabalhadores eram pssimas.
<131>
  Observe a descrio das fotos a seguir, que mostram um pouco do cotidiano dos trabalhadores no Brasil, no comeo do sculo XX.
  
<R+>
_`[1: ptio interno de um velho casaro, com roupas estendidas em varais_`]
 Legenda: Cortio no Rio de Janeiro (RJ), 1906.
  
_`[2: foto descrita por sua legenda_`]
 Legenda: Bonde lotado de trabalhadores, So Paulo (SP), na dcada de 1920.
<R->

  No Brasil do final do sculo XIX e incio do sculo XX, perodo em que foram instaladas as primeiras fbricas em nosso pas, a vida dos trabalhadores tambm era muito difcil: eles moravam em cortios, as condies de sade eram precrias e o custo de vida era muito alto.

  Responda oralmente:
<R+>
 1. Procure explicar, com base na descrio das imagens, como eram as 
condies de vida dos trabalhadores pobres de cidades fa-
  bris, como Rio de Janeiro e So Paulo, no comeo do sculo XX.
 2. Como voc acha que os trabalhadores brasileiros reagiam diante dessas condies de vida, no incio do sculo XX?
<R->

  Voc deve ter concludo, como Carol e Tina, que os trabalhadores fabris precisavam se organizar para lutar por melhores condies de vida e de trabalho. Ao estudar esse tema, as meninas conheceram a histria do Primeiro de Maio. Vamos conhec-la tambm?
<p>
Pequena histria de uma data

  No captulo anterior, na crnica de Duda, voc descobriu por que o ms de maio era tradicionalmente festejado pelos trabalhadores do campo em muitas regies europias.
  Essa tradio permaneceu entre os operrios fabris. Em muitos lugares, como na Frana e nos Estados Unidos, maio era o ms escolhido pelos operrios para se mobilizarem, se organizarem e lutarem por melhores condies de vida e de trabalho.

<132>
<R+>
1. Observe a descrio da ilustrao e a legenda que a acompanha:
<R->

<R+>
_`[{foto: operrios sendo espancados por policiais em meio  fumaa das bombas_`]
 Legenda: Em Primeiro de Maio de 1886 a Federao Americana do Trabalho (organizao dos trabalhadores dos Estados Unidos) convocou uma manifestao em Chicago, importante cidade fabril norte-americana desse perodo. Essa data marcaria a deciso dos trabalhadores de exigir dos patres o limite de 8 horas de trabalho dirio. Essa manifestao foi duramente reprimida pela polcia.
<R->

  Responda oralmente:
<R+>
 2. A imagem acima representa um dos conflitos ocorridos depois que a manifestao realizada no dia Primeiro de Maio de 1886 foi reprimida.
 a) Fale o que voc pensa sobre o que  representado nessa imagem.
 b) Segundo a legenda, qual  a principal reivindicao desses trabalhadores?
 c) Qual  a sua opinio a respeito da reivindicao desses trabalhadores?
 d) E sobre a forma como eles foram tratados por reivindicarem seus direitos?
<R->
<p>
  Em 1890, lideranas do movimento operrio, reunidas num congresso internacional, decidiram que o dia Primeiro de Maio seria um dia de luta e protesto para todos os trabalhadores do mundo.
  Dessa forma, eles relembrariam os acontecimentos de Chicago e manteriam uma tradio dos trabalhadores que, como voc descobriu ao estudar o primeiro captulo desta unidade, era anterior ao nascimento das primeiras fbricas, pois no ms de maio os camponeses europeus comemoravam a chegada da primavera e a poca das colheitas.
  Foi assim, portanto, que, desde 1890, em vrios lugares do mundo, a 
cada Primeiro de Maio, os trabalhadores paralisavam as mquinas e 
saam s ruas para festejar o seu dia e protestar contra a ex-
 plorao imposta pelos patres.

<133>
<p>
O Primeiro de Maio no Brasil

  No Brasil, as primeiras fbricas surgiram no final do sculo XIX, principalmente nas regies Sul e Sudeste do pas, e eram basicamente indstrias de alimentos e de tecidos.
  As condies de vida e de trabalho dos operrios dessas fbricas tambm eram bastante precrias. A maioria deles era formada por imigrantes, principalmente italianos, que, inicialmente, chegaram ao pas para trabalhar nas lavouras de caf. Esses trabalhadores trouxeram consigo suas tradies culturais, e elas se refletiam tambm no mundo do trabalho. Esses operrios influenciaram os trabalhadores brasileiros na forma de se organizar em sindicatos para lutar por seus direitos.
<p>
  Responda oralmente:
<R+>
 1. Voc sabe o que so sindicatos?
 2. Faa uma pesquisa para descobrir um pouco mais sobre um dos meios de organizao e luta dos trabalhadores.
<R->

  Carol e Tina descobriram em suas pesquisas que, no Brasil, o Primeiro de Maio tambm era comemorado pelos trabalhadores como um dia dedicado  luta, ao protesto. Entretanto, desde que os trabalhadores comemoram esse dia, nem sempre ele foi festejado da mesma forma.
  Conhecer como foram realizadas as comemoraes de vrios Primeiros de Maio nos permite entender um pouco a histria da organizao dos trabalhadores na luta pelos seus direitos. Nos perodos de desemprego, de carestia e de falta de uma legislao que protegesse os trabalhadores, o Primeiro de Maio foi festejado com grandes mobilizaes: trabalhadores paralisavam suas atividades nas fbricas para se manifestarem de muitas formas. Eles faziam comcios, marchas, bailes, discusses, apresentavam peas de teatro, faziam piqueniques. Enfim, festejavam esse dia de diversas maneiras, mas tambm protestavam contra as injustias e reivindicavam seus direitos.
<134>
  Nas primeiras dcadas do sculo XX, o Primeiro de Maio no era reconhecido pelos governantes nem pelos patres.
  
<R+>
_`[{foto: uma multido reunida para um comcio_`]
 Legenda: Manifestao do Primeiro de Maio no Rio de Janeiro (RJ), em 
1919.
<R->

  Em 1917, os protestos dos trabalhadores no dia Primeiro de Maio 
foram intensos. No ms seguinte, em junho, eles iniciaram uma grande paralisao, que ficou conhecida como "A Greve de 1917". Durante a represso aos operrios que participavam dessa greve, o sapateiro Jos Martinez foi baleado e morto pela polcia.

Quando o Primeiro de Maio virou
  feriado no Brasil

  No dia 26 de setembro de 1924, um decreto de Arthur da Silva 
Bernardes, ento presidente da Repblica do Brasil, transformou o Primeiro de Maio em feriado nacional.

<R+>
1. Leia a seguir um trecho desse decreto:
<R->

  " considerado feriado nacional o 1 de Maio [...] consagrando-se 
no mais a protestos subver-
<p>
 sivos, mas  glorificao do trabalho 
ordeiro [...]"

<R+>
Trecho do decreto n 4.859, de 26 de setembro de 1924, do presidente 
Arthur Bernardes. Disponvel em: ~,http:~
  www.piratininga.org.br~
  memoriacrono1maio1'htm~,. Acesso em: 11 mar. 2004.
<R->

<135>
  Responda oralmente:
<R+>
 2. Reflita sobre o trecho do documento que voc acabou de ler e discuta com seus amigos e suas amigas e com o(a) professor(a):
 a) Qual  o sentido original do Primeiro de Maio para os trabalhadores?
 b) Em sua opinio, que conseqncias esse decreto presidencial trouxe para a organizao dos trabalhadores?
<R->

  Voc provavelmente concluiu que o Primeiro de Maio, desde a sua criao pelos trabalhadores, foi visto como um dia para manifestar os desejos tanto de reivindicao, protesto, quanto de festa e comemorao. Transform-lo em uma data oficial, reconhecida pelos governantes, tirava um pouco da fora que esse dia conferia  luta dos trabalhadores. Antes desse decreto, mesmo no sendo feriado, os operrios vestiam suas melhores roupas no para irem produzir nas fbricas, e sim para sair s ruas e festejar o seu dia, se manifestar e lutar pelos seus direitos. Ao fazer desse dia um feriado oficial, os governantes descaracterizavam o Primeiro de Maio como um dia de luta dos trabalhadores, tentando transform-lo em um dia de comemorao do trabalho ordeiro, sem protesto.

O Primeiro de Maio nos tempos
  de Getlio

  Na dcada de 1930, outro governante do pas, o presidente Getlio Vargas, conseguiu disciplinar e controlar ainda mais as manifestaes operrias.
  Getlio Vargas governou o pas por 15 anos consecutivos e, durante esse perodo, fez uso de uma intensa propaganda para associar a sua imagem  de um grande "pai" do Brasil, ou melhor, "o pai dos pobres" do Brasil.
  Durante seu governo, pelo menos nos grandes centros, algumas das reivindicaes dos trabalhadores foram atendidas depois de intensas lutas. Getlio fazia questo de anunciar leis relativas aos direitos dos trabalhadores durante as comemoraes do Primeiro de Maio.

  Responda oralmente:
<R+>
1. Voc lembra qual era a principal reivindicao dos trabalhadores que se manifestaram em Chicago, no ano de 1886?
<R->

<136>
  Se voc respondeu que os trabalhadores reivindicavam um limite de 8 horas de trabalho por dia, acertou.
  Agora, descubra: qual foi o presidente que regulamentou esse limite de horas para os trabalhadores fabris do Brasil?
  Acertou novamente quem disse Getlio Vargas. Entretanto, esse mesmo presidente reprimiu todas as formas de organizaes independentes dos operrios. Assim, durante o governo de Getlio Vargas, os lderes dos trabalhadores de vrios sindicatos foram perseguidos e muitas vezes presos.

<R+>
2. Observe a descrio da foto a seguir e leia a legenda atentamente:

_`[{desfile de trabalhadores: mulheres carregam bandeiras e trs 
homens, um cartaz com a  foto de Getlio Vargas_`]
 Legenda: Desfile do Primeiro de Maio de 1942, no Estdio So 
Janurio, Rio de Janeiro (RJ). Nesse desfile, um grande cartaz foi transportado por trs trabalhadores com uniformes de trabalho. Nele vemos um rosto impresso.
<R->

  Responda oralmente:
<R+>
3. Voc sabe de quem  o rosto impresso no cartaz da foto acima?

 4. Compare a descrio da foto do Primeiro de Maio no tempo de 
Getlio Vargas com a da foto que retrata as comemoraes do Primeiro 
de Maio no Brasil, nas primeiras dcadas do sculo XX, da pgina 245.

  Responda oralmente:
 a) Quais so as principais diferenas que voc pode apontar entre as formas de comemorar essa data registradas nas imagens?
 b) Explique as suas concluses para os(as) colegas.
<R->

<137>
<p>
O Primeiro de Maio dos anos
  de 1980

<R+>
 1. No incio deste livro, no captulo de apresentao, voc conheceu um pouco da Histria do Brasil e da histria da autora e de seu irmo durante a ditadura militar.
 a) Voc lembra quais foram os acontecimentos que mais impressionaram a autora no decorrer da dcada de 1970? Escreva quais foram esses acontecimentos.
 b) Observando as imagens do captulo de apresentao, em que perodo da Histria do Brasil ocorreram esses acontecimentos?
 c) Como eram tratados os artistas, os lderes de trabalhadores da cidade e do campo e qualquer pessoa que manifestasse uma opinio desfavorvel ao governo dos militares?
<p>
2. Agora, observe atentamente a descrio da foto a seguir:

_`[{homens e mulheres, numa passeata, carregam uma faixa onde se l: "O sindicato  voc"_`]
 Legenda: Manifestao do Primeiro de Maio de 1980, em So Bernardo do Campo (SP).

 a) Voc v alguma semelhana entre o tipo de manifestao re-
  tratada nessa foto e as manifestaes do Primeiro de Maio no Brasil 
de 1919, retratadas na imagem da pgina? Explique.
 b) E em relao s manifestaes do perodo do governo de Getlio Vargas, existem mais semelhanas ou diferenas? Explique.
 c) Em sua opinio, qual  o sig-
  nificado da frase "O sindicato  voc", escrita na faixa que aparece na foto?
<R->

<138>
  O Primeiro de Maio de 1980 foi um grande momento para os operrios metalrgicos, especialmente os da regio do ABCD paulista.

<R+>
_`[{mapa de So Paulo destacando as cidades do ABCD: Santo Andr, So Bernardo do Campo, So Caetano do Sul e Diadema_`]

3. Escreva, quais cidades compem o ABCD.
<R->

  Em 1980, essa regio do estado de So Paulo concentrava a grande maioria das indstrias automobilsticas do pas e, portanto, milhares de trabalhadores especializados. A mobilizao desses operrios, num perodo de ditadura, atraiu a ateno de pessoas de todo o pas e o apoio de artistas, estudantes e polticos de oposio ao governo dos militares. A partir desse momento, cada vez mais a sociedade civil exigia escolher seus representantes e poder manifestar livremente suas opinies.

Aprender a transformar a dura
  realidade

  Carol e Tina, ao estudar a histria dos trabalhadores fabris, aprenderam que todos os direitos conquistados pelos operrios s foram conseguidos porque eles se organizaram para lutar por esses direitos. Mas aprenderam tambm que, no tempo em que esses trabalhadores no tinham leis que os protegessem, eles prprios procuravam se ajudar: os operrios das primeiras dcadas do sculo XX faziam uma espcie de poupana que servia para socorrer companheiros de luta que se acidentassem no trabalho e no pudessem trabalhar para manter a famlia. Eles criaram jornais para discutir e informar seus problemas e para explicar por que, afinal, lutavam. Eles tambm escreviam e representavam peas teatrais para contar a prpria histria.
<p>
  Responda oralmente:
<R+>
 Voc considera importantes essas aes dos primeiros operrios fabris no Brasil?
<R->

<139>
  Os operrios do final da dcada de 1970 e dos anos de 1980 tam-
 bm agiram para transformar a sua situao de explorao: eles fizeram comcios, produziram cartilhas com desenhos e histrias que denunciavam a falta de liberdade no pas, pois no era permitido que as pessoas se manifestassem e que os trabalhadores se organizassem. Essas aes faziam com que os operrios refletissem sobre a sua prpria condio.
  Depois de muitas pesquisas, Carol e Tina chegaram a algumas 
concluses: a primeira delas foi a de que os problemas que afetam as 
grandes cidades no podem ser isolados uns dos outros nem do resto da 
realidade do pas. Tanto no passado como no presente, as pessoas que 
migraram de onde nasceram para outros lugares geralmente no tiveram 
outra opo. Essas pessoas geraram e geram riquezas a partir do seu 
trabalho, mas nem sempre foram e so tratadas com a dignidade que 
merecem. Por exemplo: os bairros das periferias onde grande parte 
dessas pessoas reside no contam com opes de lazer e cultura, no 
tm infra-estrutura; os servios de transporte e de sade nesses 
bairros deixam muito a desejar... Assim, Carol e Tina passaram a 
entender a im-
 portncia da luta contempornea dos trabalhadores pela 
melhoria dos salrios, das condies de trabalho, dos transportes 
pblicos, pelo direito  moradia digna etc.
  Mas a lio mais preciosa que as garotas aprenderam  que os principais atores dessa histria, ou seja, os trabalhadores, os homens e as mulheres comuns que formam a maioria da sociedade civil brasileira, devido  sua luta, organizao, resistncia e mobilizao, conquistaram direitos, transformando a prpria realidade e a Histria do pas. Hoje, ns, cidados brasileiros, somos livres para nos manifestar, organizar sindicatos ou outra entidade que nos represente. Tambm somos livres para eleger nossos representantes e exigir deles que realmente trabalhem pelos interesses da maioria da populao brasileira.

<R+>
Para saber mais

*A fbrica e a cidade at 1930*, de Nicolina Luiza de Petta. So Paulo: Saraiva, 2002.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<140>
<p>
3- Tempo de solidariedade 

<R+>
 Cadeira de balano:

 Lies de vida
<R->

  Tico andava to feliz que nem cabia em si de contentamento. O motivo de tudo isso era que esse menino, que morou durante muito tempo nas ruas, tinha de novo um lar. Alm disso, pela primeira vez em sua vida podia sentar-se numa cadeira de sala de aula.
  Sua tia, dona Maria, enquanto lavava a loua do almoo, observava o 
interesse e a concentrao do garoto: Tico examinava cuidadosamente 
livros e revistas que trouxera da escola. Dona Maria tam-
 bm estava feliz, pois, alm de ter novamente o sobrinho morando sob a sua 
proteo, ele agora podia estudar e estava cada dia mais sabido.
  -- Tico, o que tu olhas com tanto interesse nesta revista, guri?
  -- Bah, tia! Estou aqui vendo essas fotos e, pelo que o professor Ricardo contou, a situao dessas crianas no  brincadeira!
  A tia se aproximou e examinou as fotos:
<141>
  -- Bah, tch! O que esta menina faz com esse saco amarrado na cintura, pendurada nesse cabo? Que perigo! Esse lugar  trialto!
  -- Pois , tia. Essas revistas que o professor Ricardo emprestou 
pra minha pesquisa tm cada assunto incrvel! Quando eu vivia nas 
ruas, no achava que tinha gente que passava por isso...
  -- Mas, afinal, guri, o que est escrito a? Por que essa guria to pequena est pendurada nesse cabo? Ela atravessa o rio por a, ?
  -- O nome dela  Daisy. Ela tem a minha idade: onze anos. Mas no  brasileira, no. Aqui diz que ela  de um pas chamado Colmbia. Nesse saco na cintura est a irmzinha dela, tia! Ela faz isso porque a irm tem medo de altura. Todos os dias a Daisy escorrega por esse cabo, numa altura de 120 metros, e atravessa o Rio Negro, com a irm pendurada na cintura, para as duas irem para a escola.
  -- E no tem escola mais fcil de ir nessa tal de Colmbia?
  -- Tem, mas aqui diz que no lugar em que ela mora tem muita guerra e por causa disso precisaram fechar as portas da escola. Por isso, pra estudar, ela  obrigada a atravessar o rio por esse cabo.
  -- Que guria de coragem, tch!
<142>
  -- Bah! Que eu tambm estava pensando nisso agora, tia! Essa guria e todas as histrias que o professor leu hoje com a gente me deram muita fora! E a senhora pode escrever: vou ser algum na vida!
  -- Escrever como, meu sobrinho? Eu no sei escrever!
  -- Bah, tch! No escreves, mas ainda podes aprender! Aqui tem histrias de gurias de muitos cantos do mundo que ensinam isso pra gente, tia! Uma fugiu do pai que queria vend-la e ela queria estudar, a outra aprendeu a ler na estao de trem...
  E Tico prosseguiu:
  -- E essa aqui -- apontando para uma fotografia --  brasileira. Ela se esforou pra estudar e hoje  professora. Tia, pra chegar at a escola onde ela ensina, essa professora caminha quase uma hora e, nas cheias do rio, ela atravessa as guas com os livros amarrados na cabea pra ensinar seus alunos!
  -- Tico, essas mulheres so tricorajosas! Ouvir essas histrias enche o corao da gente de nimo! Elas at parecem com as mulheres l do projeto de reciclagem.
  -- Que projeto, tia?
  -- O projeto de reciclagem de lixo criado pelas mulheres de Vila Pinto. Alm de conservar a natureza, elas ainda esto conseguindo aumentar a renda familiar.
  -- Trilegal! E a senhora est participando?
<143>
  -- No. Eu fui l algumas vezes com a Janete. Hoje a gente vai 
fazer mais uma visita com a dona Glorinha e outras mulheres. Estamos 
pensando em aproveitar a experincia das mulheres de Vila Pinto e 
fazer algo parecido aqui na Restinga. A vida est muito difcil, 
guri, tem ms que no d pra pagar o aluguel e as outras despesas. 
Quem sabe, Tico, se esse projeto der certo por aqui, eu consiga 
aumentar a nossa renda e a gente possa at construir em mutiro (**) uma casinha s nossa...
  -- Bah, tch! Pode contar comigo, tia!
  -- Sei que posso, meu sobrinho, mas isso no pode atrapalhar teus estudos.
  -- No vai atrapalhar, no. Eu s ajudo depois de estudar e fazer minhas lies. Posso ir hoje com a senhora?
  -- Pode, sim. Acho que irs gostar de l, guri. As mulheres da reciclagem tambm tm muito a ensinar:  preciso acreditar, ter coragem, unir as foras de todos. Sabe, Tico, eu aprendi uma coisa nessa vida dura que a gente leva: podem tirar tudo da gente, menos os nossos sonhos e as nossas esperanas.
  Tico sorriu para a tia. Mais do que ningum, ele sabia o que tudo 
aquilo significava: garra, fora, coragem eram ferramentas conhecidas 
pelo garoto. Ele muitas vezes teve de recorrer a elas para sobreviver 
nas ruas. O sonho e a esperana de voltar  famlia,  escola, de 
poder brincar e viver como toda criana tem direito alimentaram-no 
diariamente.

<144>
<p>
Rota de viagem

<R+>
_`[{foto: uma senhora com uma criana no colo_`]
 Legenda: Nesta foto de 1998, em Ponta Grossa do Piriri, no estado do Amap, dona Juvelina Costa dos Santos tinha 77 anos. Graas a ela, muitas crianas vieram ao mundo. A profisso de dona Juvelina  muito antiga: ela  parteira. Essa profisso no  reconhecida pela lei no Brasil, mas as mes que contaram com a ajuda de mulheres como dona Juvelina antes, durante e depois do parto, e os filhos que nasceram, sabem muito bem o valor das parteiras.
<R->  

  Em 1998 o Brasil contava com 60 mil parteiras, como dona Juvelina. 
Desse total, 20 mil exerciam seu trabalho na regio Norte. Nessa regio, nesse mesmo ano, o total de mdicos era sete mil. Na zona rural, nos povoados mais afastados, as parteiras so os nicos agentes de sade com os quais mulheres, crianas e at mesmo pessoas idosas podem contar.

  Responda oralmente:
<R+>
 1. No seu bairro existem postos de sade ou hospitais pblicos?
 a) Caso existam, voc j fez uso dos servios prestados neles?
 b) Caso no exista servio pblico de sade em seu bairro, para onde voc se dirige quando necessita desses servios?

 2. Voc sabe quais so os cuidados a serem dispensados s mulheres grvidas?
 3. Escreva um pequeno texto sobre a importncia de aes solidrias como as realizadas por pessoas como dona Juvelina.
<R->

<145>
<p>
Refletindo e produzindo com Tico
  e dona Maria

  Na crnica que voc acabou de conhecer, Tico dialoga com sua tia sobre suas descobertas.

  Responda oralmente:
<R+>
 1. Qual a opinio de Tico sobre os relatos de vida que leu nas reportagens com a ajuda do professor Ricardo?
 2. Voc conhecia essas histrias ou conhece algum que tenha histrias pessoais parecidas com as que Tico relatou para sua tia?
 3. E quanto a voc, o que achou desses relatos? As histrias de vida dessas pessoas lhe ensinaram algo? Explique.
<R->

Cidados e cidads solidrios

  Na lei maior de nosso pas, a Constituio, esto garantidos vrios direitos sociais: educao, sade, trabalho, lazer, segurana, proteo s crianas e s mulheres grvidas, socorro s pessoas desamparadas... Entretanto, como voc leu na seo Rota de viagem, ainda existem em nosso pas lugares onde no h um nico posto de sade. Se as mulheres grvidas e seus bebs no tivessem o apoio e o auxlio de parteiras como dona Juvelina, estariam totalmente desamparados.
  Voc tambm ficou sabendo, por meio do relato de Tico, da histria de uma professora brasileira do Piau que, para chegar at seus alunos, caminha cerca de uma hora e, durante as cheias do Rio Canind, atravessa-o com as guas na altura dos ombros. O nome dela  Aldenice.
  Em 1998, dona Juvelina no recebia nenhum salrio para exercer a 
profisso de parteira. A professora Aldenice, em abril de 2001, 
ganhava cerca de R$150,00. Pessoas como dona Juvelina e a professora Aldenice lutam por melhores condies de vida e de trabalho e persistem em seu ofcio. Mesmo com todas as dificuldades que enfrentam, ajudam a construir um Brasil mais solidrio!
  Vamos conhecer a histria de outras pessoas que tornam o nosso pas um lugar melhor para se viver?

<146>
Tempo e talento mudando vidas

  Em 1997 foi criado o Centro de Voluntariado de So Paulo. At o ano 2000, esse centro recebeu mais de quinze mil pessoas para trabalharem como voluntrias em reas de seu interesse. Nesses ltimos anos, no restante do pas, muitas pessoas passaram a dedicar uma parte de seu tempo e de seus conhecimentos para ajudar, de diversas formas, inmeras outras pessoas.
<p>
<R+>
 1. Leia com ateno os textos seguintes:

 A. "Voluntrio  o cidado que, motivado pelos valores de participao e solidariedade, doa seu tempo, trabalho e talento, de maneira espontnea e sem receber salrio em troca, para causas de interesse social e comunitrio."

 Definio do Programa Voluntrios, disponvel em: 
  ~,www.goldeletra.org.br~,. Acesso em: 12 mar. 2004.

 B. "Hoje o trabalho voluntrio est muito ligado  cidadania 
participativa, no sentido de participarmos conjuntamente de aes 
voltadas para a melhoria da nossa cidade, ento a gente deixa de ser 
meramente um governado para atuar junto ao governo, no substituindo, 
mas colaborando em parceria." (Maria Amlia Muneratti, coordenadora 
do Centro de Voluntariado de So Paulo).

 Depoimento citado no site da *TV Cultura*. Disponvel em: 
~,http:www.tvcultura.com.br~
  caminhos27voluntarios~
  voluntarios2'htm~,. 
Acesso em: 12 mar. 2004.

 C. "A gente sentia que tinha responsabilidade pra fazer alguma 
coisa, tanto pelas crianas como para qualquer um que precisasse. E a 
gente tenta... O nosso objetivo, alm de tentar ajudar as crianas,  
conscientizar todos os alunos do colgio que esto em situao mais 
privilegiada..." (Renata Codas, estudante voluntria, que dedica 
parte de seu tempo para brincar com as crianas de um dos lares da 
Associao Maria Helen
<p>
  Drexel, que acolhe crianas em situao de 
abandono).

 Depoimento citado no site da *TV Cultura*. Disponvel em: ~,http:www.tvcultura.com.br~
  caminhos27voluntarios~
  voluntarios2'htm~,. 
Acesso em: 12 mar. 2004.

 D. "Eu perdi um marido com cncer, ento eu achava que ele foi muito 
novo, com 55 anos e no  isso, tem criana mais nova que j foi 
embora. Ento  uma coisa til que eu achei. Eu tomava oito 
comprimidos por dia para depresso, a eu comecei a freqentar aqui, 
agora eu no tomo nenhum,  um alvio sabe,  uma alegria..." (Maria 
Helena, voluntria de uma casa as-
<p>
  sistencial s crianas com cncer em 
So Paulo).

 Depoimento citado no site da *TV Cultura*. Disponvel em: ~,http:www.tvcultura.com.br~
  caminhos27voluntarios~
  voluntarios2'htm~,. 
Acesso em: 12 mar. 2004.

<147>
  Responda oralmente:
 2. Agora, com base nos textos da atividade anterior, responda oralmente as questes a seguir:
 a) Defina com suas palavras o que  trabalho voluntrio.
 b) Qual  a importncia do trabalho voluntrio para quem o realiza?
 c) Qual  a importncia do trabalho voluntrio para quem o recebe?
<R->

Caminhos e parcerias para
  transformar a cara do Brasil

  Na crnica de Tico, dona Maria estava feliz porque iria conhecer mais sobre um projeto de reciclagem de Vila Pinto, que ela e outras mulheres do Restinga desejavam implementar nesse bairro.

<R+>
 1. Segundo dona Maria, quais eram as vantagens desse projeto para as mulheres de Vila Pinto?

 2. Vamos conhecer um pouco mais sobre a histria das mulheres de Vila Pinto? Forme um grupo com seus amigos e suas amigas:
 a) Observem a descrio da foto a seguir.

_`[{um grupo de mulheres separando lixo reciclvel, num galpo em Porto Alegre (RS)_`]
 Legenda: Em 2001, 138 pessoas, a maioria delas do sexo feminino, 
trabalhavam no galpo de reciclagem do Centro de Educao Ambiental 
(CEA). Em um ms, com seis horas de trabalho dirio, essas pessoas 
reciclavam 120 mil quilos de lixo e cada uma recebia R$270,00.

 b) Leiam o texto a seguir.
<R->

<148>
  A fotografia que vocs observaram na pgina anterior registra uma iniciativa dos moradores (especialmente das mulheres) de Vila Pinto, uma das regies mais pobres da cidade de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul. Discutindo conjuntamente, os moradores dessa vila avaliaram que o maior problema da comunidade era o desemprego, especialmente entre as mulheres. Ento, com a ajuda do governo do estado do Rio Grande do Sul, da prefeitura de Porto Alegre e de uma organizao no-governamental alem, as mulheres de Vila Pinto criaram o Centro de Educao Ambiental.
  Essas pessoas tinham conscincia de que, por meio de seu trabalho, elas melhorariam suas vidas e contribuiriam para recuperar o meio ambiente, na medida em que grande parte do lixo urbano, que era jogado a cu aberto, poluindo o meio ambiente, passaria a ser selecionado e reaproveitado.
  Alm disso, o Centro de Educao Ambiental transformou o ambiente 
social da comunidade de Vila Pinto. Por meio do centro e com a 
participao dos moradores do bairro, outros projetos esto sendo 
desenvolvidos: alfabetizao, educao ambiental, artes plsticas, 
assistncia psicolgica, msica para adolescentes, grupo teatral e 
musical, equipes esportivas. Enfim, a partir da iniciativa dos 
moradores da prpria comunidade, da colaborao dos administradores 
pblicos e de organizaes no-governamentais as relaes humanas 
esto sendo re-
<p>
 criadas, baseadas na solidariedade para a construo de 
um Brasil mais justo para todos.

<R+>
Adaptado da revista *Cidades do Brasil*, nov./dez. 2000. Disponvel em:  
~,http:www.~
  cidadesdobrasil.com.br~
  gestaogestao15p3'htm~,. Acesso em: 12 jan. 2004.
<R->

  Responda oralmente:
<R+>
 c) Agora, discuta com seu grupo as informaes presentes no tex-
  to que vocs acabaram de ler.
<149>

  Responda oralmente:
 3. Responda com seu grupo:
 a) Em seu bairro existe algum projeto que conta com a participao das pessoas da comunidade e propicia benefcio para todos os envolvidos? Caso exista, falem sobre ele para sua turma.
 b) Caso no exista um projeto desse tipo, o que vocs acham que poderia ser feito pelos moradores do bairro para que, com o trabalho de todos, as pessoas da sua comunidade pudessem ser beneficiadas
<R->

O direito  dignidade: a luta dos
  sem-teto

  Um dos grandes problemas a ser enfrentado pelos representantes 
polticos dos municpios, dos estados e do pas  resolver a carncia 
de moradia e a falta de infra-estrutura dos bairros mais po-
 bres, especialmente nas grandes cidades.
  No campo, muitos trabalhadores sem terra se organizaram para lutar pelo direito  terra e, conseqentemente, pelo direito  moradia e ao sustento de suas famlias. Nas grandes cidades, famlias sem moradia, que vivem em bairros que no contam com rede de esgoto, iluminao, calamento, reas de lazer, servios de sade e educao, tambm esto se organizando de diversas formas para conseguir, com o trabalho da comunidade e do poder pblico, melhorar a qualidade de vida dos moradores.

  Responda oralmente:
<R+>
 1. Se voc fosse prefeito(a) de uma cidade com problemas de moradia ou de falta de infra-estrutura, o que faria para resolver esses problemas?
 2. Voc sabe o que so mutires para a construo de moradias?

 3. Observe com ateno a descrio da foto. Depois, escreva o que voc acha que  *mutiro*.

_`[{homens e mulheres trabalham em diferentes etapas da construo de um conjunto habitacional_`]
 Legenda: Mutiro para construo de casas populares, Socorro (SP), 1999.
<R->

<150>
  Dona Maria, a tia de Tico, deseja organizar com as mulheres do Restinga um projeto comunitrio para melhorar a qualidade de vida da sua famlia e dos demais moradores do bairro. Ela sonha construir a sua prpria casa, em regime de mutiro.
  Muitas pessoas que no conseguem manter o pagamento de seus 
aluguis, assim como as que vivem em cortios, em favelas ou em reas 
de risco, esto se unindo e criando associaes para lutar pelo 
direito  moradia. Essas pessoas, chamadas sem-teto (**), fazem parte da Unio dos Movimentos de Moradia e recebem apoio de pessoas que j conseguiram suas casas por meio de mutires.

  Responda por escrito:
<R+>
4. O que voc acha de movimentos como esses? Voc os considera importantes? Por qu?
<R->
<p>
Para terminar, lembre-se: gente 
  pra brilhar!

  No comeo do sculo XX, um poeta russo chamado *Vladimir 
Maiakvski* escreveu um poema intitulado "Sol" e em um de seus versos ele disse: "Gente  pra brilhar".
  O cantor e compositor Caetano Veloso, na cano "Gente", completou os versos de Maiakvski e escreveu: "Gente  pra brilhar, no pra morrer de fome".
  Como autora de seu livro, quero dizer a voc que gosto muito desses versos, pois acredito que todas as pessoas nasceram para brilhar, para viver com dignidade.
  E voc, o que pensa sobre isso?
<151>
  Voc est encerrando um ciclo de sua vida escolar. Eu desejo que 
voc tenha aprendido muito com os amigos criados neste livro para 
ajud-lo(a) a estudar Histria. Desejo tambm que voc tenha re-
 fletido bastante com as leituras, as pesquisas, as atividades e 
todas as discusses que voc fez com seus amigos reais, seus 
professores, seus pais e responsveis.
  Na 5 srie voc enfrentar novos desafios, mas tenho certeza de que se sair muito bem, pois voc tem muitas habilidades.
  Eu quero me despedir desejando que voc seja muito feliz e que nunca se esquea de que voc  gente, tem garra e coragem, sonhos e esperanas e uma vida inteira para viver com dignidade.
  Para terminar, experimente cantar "Gente" com a alegria e a fora que toda gente tem!

 Gente

 Caetano Veloso

<R+>
 Gente olha pro cu
 Gente quer saber o um
 Gente  o lugar de se perguntar o um
 Das estrelas se perguntarem se tantas so
 Cada estrela se espanta  prpria exploso
 Gente  muito bom
 Gente deve ser o bom
 Tem de se cuidar de se respeitar o bom
 Est certo dizer que estrelas
  esto no olhar
 De algum que o amor te elegeu pra amar
 Marina, Bethnia, Dolores,
  Renata, Leilinha, Suzana, Ded
<152>
 Gente viva brilhando, estrelas na noite
 Gente quer comer
 Gente quer ser feliz
 Gente quer respirar ar pelo nariz
 No, meu nego, no traia nunca essa fora, no
 Essa fora que mora em seu
  corao
 Gente lavando roupa, amassando po
 Gente pobre arrancando a vida com a mo
 No corao da mata, gente quer prosseguir
 Quer durar, quer crescer, gente quer luzir
 Rodrigo, Roberto, Caetano,
  Moreno, Francisco, Gilberto, Joo
 Gente  pra brilhar, no pra
  morrer de fome
 Gente deste planeta do cu de anil
 Gente, no entendo, gente, nada nos viu
 Gente, espelho de estrelas, reflexo do esplendor
 Se as estrelas so tantas, s mesmo amor
 Maurcio, Lucilla, Gildsio, Ivonete, Agripino, Gracinha, Zez
 Gente, espelho da vida, doce
  mistrio

"Gente", de Caetano Veloso. CD *Bicho*, Polygram, 1989.
<p>
Para saber mais

 *As latinhas tambm amam: um romance a favor da reciclagem*, de Julieta de Godoy Ladeira. So Paulo: Atual, 2001.
 *O jogo de no jogar: uma histria contra o desperdcio*, de Julieta de Godoy Ladeira. So Paulo: Atual, 2003.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<153>
<p>
Projeto interdisciplinar

Teatro de bonecos: inveno
  e arte

<154>
Animar

  Voc se lembra da resposta que o seu Chico deu quando Ana Ceclia disse que tinha vergonha de se apresentar em pblico?
  Na sala de aula do acampamento Nova Canudos, ele respondeu:
  "-- No tem problema! Voc pode fazer um teatro de bonecos e eles representam para voc!"
  Foi ento que a menina Ana sapecou as seguintes perguntas:
  "-- Teatro de bonecos? Mas como, seu Chico?"

  Responda oralmente:
<R+>
 1. Voc j assistiu a algum teatro de bonecos?
 2. Onde?
 3. Quando?
 4. Como eram as personagens? 
 5. E a histria, o que contava?
 6. E voc, j apresentou um teatro de bonecos?
<R->

  Vamos ajudar o professor Chico e sua turma a dar vida aos bonecos? Antes precisamos entender o que , afinal, teatro de bonecos. Para descobrir, imagine a seguinte cena:
  Uma pessoa manipulando alguns objetos que esto ao seu redor: um prendedor de roupas vira um jacar, uma meia vira um sapo, um leno vira uma bailarina, a sombra de suas mos projetada na parede cria a imagem de um homem que abre e fecha a boca...
  Essa pessoa est dando vida quilo que no tem vida, est dando um significado novo s coisas. Na verdade, ela est fazendo *teatro de formas animadas* -- que  o nome desta enorme famlia da qual fazem parte o fantoche, a marionete, a sombra, e por a vai...

<155>
<p>
Mamulengo

  Responda oralmente:
<R+>
 1. Experimente falar esta palavra em voz alta: *mamulengo*.
 2. Em sua opinio, o que ela significa? 
<R->

<R+>
Conhecendo um pouco mais sobre o teatro de mamulengo
<R->

  No Nordeste do Brasil, especialmente em Pernambuco, o teatro de bonecos  conhecido pelo nome de mamulengo. Em outros estados, ele  conhecido tambm pelos nomes Joo Redondo, Joo Minhoca, Babau, Man Gostoso e Briguelo.
  O teatro de mamulengo  uma forma de expresso muito popular, criativa e alegre. Ele  apresentado nas praas, nas feiras, nos festejos da comunidade, nos quintais... Dois ou trs mamulengueiros ficam escondidos atrs de uma cortina e manipulam os bonecos. Um sanfoneiro e um tocador de pandeiro costumam acompanhar o espetculo para realizar, ao vivo, toda a parte musical.
  Os bonecos se movimentam e "falam" em cima da cortina, que funciona como palco. A cabea do mamulengo  esculpida no "mulungu", uma madeira leve e macia, facilmente encontrada no Nordeste. O escritor Hermilo Borba Filho, no seu livro *Espetculos populares do Nordeste*, fala com muito carinho sobre esse tipo de teatro:
  "O espetculo, como acontece com o de todos os mamulengueiros, , na sua maior parte, improvisado.  claro que ele tem um roteiro para a histria, jamais escrita, mas os dilogos so inventados na hora, ao sabor das circunstncias e de acordo com a reao do pblico."

<R+>
Hermilo Borba Filho. *Espetculos populares do Nordeste*. So Paulo: Buriti, 1966.
<R->

  O teatro de bonecos foi trazido para o Brasil pelos portugueses. De acordo com o livro *No tempo dos vice-reis*, escrito por Lus Edmundo, o espetculo dos bonecos, l pelos anos de 1750, j era muito popular na cidade do Rio de Janeiro.

<156>
<R+>
 3. Esta  para fazer em casa:
 a) Pergunte a seus familiares se eles conhecem a tradio do teatro de mamulengo.
 b) Registre as respostas no seu *Dirio de invenes*, ou seja, em um caderno no qual voc far anotaes de planejamentos, pesquisas, entrevistas, concluses etc. e poder arquivar tudo enquanto estiver trabalhando nesse projeto.
<R->

Cabacinhas

  O teatro de formas animadas  uma brincadeira milenar (**), conhecida e praticada nos quatro cantos do planeta Terra. Um meio de comunicao que vive em estado permanente de *saracotico*, *sapituca*, *inveno*...
  Tudo pode virar uma forma animada. Tudo pode virar boneco, ganhar vida. Para provocar essa transformao, precisamos apenas de um olhar criativo e de duas mos curiosas.

<R+>
 1. Experimente, nesse *instante de puf-puf*, transformar alguns objetos que esto ao alcance de suas mos: a rgua e a caneta podem virar um avio, o apontador  uma canoa e a borracha  o canoeiro...
<R->

  No se preocupe se voc sabe ou no recortar, desenhar, modelar, pintar, bordar, costurar, esculpir... Ningum precisa saber de tudo. Quando trabalhamos em grupo, cada um entra com a sua experincia, a sua habilidade, a sua vontade de aprender, o seu desejo de ensinar.
<p>
<R+>
 2. Para montar um teatro de formas animadas, temos de pensar sobre:
 a) Como os bonecos podero ser construdos?
 b) Que material servir de base?
 c) Que ferramentas sero necessrias?
 d) Que outros materiais sero usados para dar o acabamento?
<R->

<157>
  No nosso teatro, os bonecos sero feitos de cabacinhas. Nas pequenas cidades e no campo, elas so muito conhecidas e fceis de encontrar. Nas grandes cidades e nas metrpoles, elas podem ser compradas em feiras e mercados.
  A cabacinha  um fruto de casca dura, repleto de sementes -- um verdadeiro chocalho natural.  tambm conhecida como *cabaa*, *porongo* ou *porunguinha*.
<p>
  Responda oralmente
<R+>
 3. Voc sabe por que a cabacinha tem um aspecto empoeirado, uma superfcie encardida?
 4. Alm da confeco de bonequinhos para o teatro, voc conhece outros usos dados  cabacinha pela populao brasileira?
<R->

  Em suas andanas  procura das cabacinhas, voc deve ter descoberto que podemos encontr-las em vrios tamanhos. Para construir os bonecos, vamos selecionar as que so, mais ou menos, do tamanho de uma mo fechada.
  Voc reparou nos formatos que elas tm?
  Algumas, por exemplo, pelo seu formato podem virar passarinhos. 
Outras, com um "pescocinho", so ideais para fazer a cabea de uma personagem humana, menino ou menina.
  Vamos comear a preparar a cabacinha para ela se transformar num boneco de verdade?
  Deixe-a mergulhada num balde com gua por um dia e uma noite -- apenas 24 horas... Coloque um peso sobre ela para que no fique boiando na superfcie.

<158>
Nada melhor do que um dia depois
  do outro...

  Aproveitando que a cabacinha est encharcada e amolecida, pea a ajuda do(a) professor(a) ou de outro adulto para cort-la, fazendo uma pequena abertura arredondada.
  Agora, vamos precisar de concentrao e pacincia: utilize a abertura feita para retirar as sementes. 
  Finalmente, a ltima etapa de limpeza: pea a um adulto para raspar a camada de terra que ainda estiver agarrada  cabacinha.
  Cortou, tirou as sementes e raspou? Ento, deixe a cabacinha secando por um dia e uma noite... Por que voc j sabe: nada melhor do que um dia depois do outro!
  Quando a porunguinha estiver seca e firme, ela vai ganhando uma cor prpria, um jeito, uma personalidade.  como se ela dissesse pra gente o que ela quer ser...
  "Alakazan, alakazano! Cabacinha, pedao de pano!"

Bonecos
  
  Junte-se a um colega.
  Para fazer o boneco, vamos precisar de papel, lpis, pano, fel-
 tro, tesoura e agulha.
  Faam um molde do corpo, usando as prprias mos como medida. Passem o molde para o pano, risquem, recortem, costurem. 
  Para as mozinhas, usem um pedao de feltro, recortem e costurem.
  Nas cabacinhas de pescoo, basta amarrar o pano moldado, ou seja, o "corpo".
<159>
  Para um outro tipo de "corpo", usem um pano leve e macio. Recortem um quadrado de 40 cm, faam uma pequena abertura arredondada no centro e amarre no pescocinho da cabaa. Pronto! O simples movimento do pano e da cabea-cabaa j faz a platia imaginar todo o seu corpo.
  Para os passarinhos, podemos usar esse mesmo recurso. Nesse caso, como as cabacinhas no tm pescoo, no  preciso recortar o centro do pano. Ele ser preso com tachinhas ou percevejos.
  E a "carinha" do boneco, como vai ficar?  s imaginar, experimentar e descobrir!
  Se quiserem, podem deixar a cabacinha pura, limpa, sem nenhuma caracterizao. Nesse caso, cada um da platia vai imaginar as feies do boneco conforme seus movimentos e suas falas.
  E agora, como segurar e movimentar os mamulengos?
  Os dedos "mindinho" e "seu-vizinho" ficam fechados, dobrados sobre 
a palma da mo. O "pai-de-
 -todos", o "fura-bolo" e o "cata-piolho" ficam abertos, escancarados.
  O "pai-de-todos" segura uma mozinha de feltro, o "fura-bolo" segura a cabea-cabaa e o "cata-piolho" segura a outra mozinha de feltro.
  No caso dos bonecos que possuem o "corpo" feito apenas de um pano leve e macio, o "fura-bolo" segura a cabea e os outros dedos se movimentam livremente, abrindo e fechando.
  Agora  a sua vez: experimente exercitar suas mos para dar vida aos briguelinhos!
<160>
  Para o boneco ter vida, precisamos fazer o teatro em p -- e nunca ajoelhado, sentado, agachado, encurvado, encostado... O nosso corpo precisa acompanhar o movimento do corpo do boneco e o nosso olhar deve estar sempre voltado para ele.
  Duas posies so confortveis para segurar o boneco:
<R+>
  em p, com o brao reto para cima, rente  cabea e ao pano;
<p>
  em p, com o brao em forma de "L", rente ao pano.
<R->
  Assim, no corremos o risco de o brao ficar cansado e o boneco ir abaixando, abaixando, at quase desaparecer...
<R+>
  Um segredo importante: quando temos dois ou mais bonecos em cena, o boneco que est falando deve se movimentar bastante (mas sem exagero!) e o outro (ou outros) deve ficar quase parado, com movimentos midos. Assim, a platia pode acompanhar com tranqilidade os dilogos e o jeito de cada personagem.
<R->

<161>
Vai comear

  No acampamento Nova Canudos, o professor Chico deu a seguinte sugesto para seus alunos:
  "-- Que tal se, depois das leituras, pesquisas e tudo mais que ns fazemos aqui, vocs apresentassem o resultado do trabalho em forma de teatro?"
  Vamos, ento, mergulhar nesse desafio?
  J temos o assunto, as informaes, as fontes de pesquisa: a "vida severina" lutando para se transformar em "vida vitoriosa"; a Reforma Agrria; os acampamentos; os assentamentos; as diferentes idias sobre a Reforma Agrria nos diferentes setores da sociedade...
  Para transformar tudo isso na linguagem do teatro de briguelos, precisamos de alguns ingredientes:

Humor 

  A nossa histria vai falar de acontecimentos reais, muitas vezes tristes e doloridos. Dentro dessa realidade dura, entretanto, sempre existe alegria, nimo, carinho, risos e gargalhadas. Precisamos, portanto, de uma boa pitada de humor na nossa histria.
<p>
Msica

  Boneco e msica so irmos. De repente, surge uma festa e os bonecos vo danar. E a  hora do baio, do forr, do samba... Podemos tambm fazer msica ao vivo. Quem gosta de instrumentos musicais? Qual o seu instrumento preferido?

Palavras Sonoras

  Voc acha que palavra tambm tem sabor? Hum... Experimente, por exemplo, pronunciar estas palavras: murucututu, jaguacacaca, espandongado, telecoteco, mequetrefe, jururu, mulungu e,  claro, mamulengo. No  uma delcia? Essas palavras saborosas trazem msica e humor para o nosso teatro.
  Procure encaixar nas falas dos personagens alguns provrbios. Por exemplo:
  gua mole em pedra dura tanto bate at que fura.
  Quem no arrisca no petisca.
  A unio faz a fora.
<162>
  E no podemos nos esquecer tambm dos trava-lnguas:
<R+>
 Parati, Matip, Pira, Pianc.
 Tatu tauat, tatuet ta. Tem tanto tatu, no tem tatu.
 Lano o lao no salo. O leno lano, a lana no.
<R->
  Voc costuma brincar com a rima dos nomes? Maravilha! Ento, que tal aprender a lngua do "Gud"?
  Observe o que acontece com o nome Guilhermino: Guilhermino Gud*ino* 
de Gurruf*ino* de Maracut*ino* Xiringabut*ino*. Ns "pescamos" a rima 
do nome, nesse caso, *ino*, e encaixamos nos sons GUD DE GURRUF DE 
MARACUT XIRINGABUT. Podemos fazer isso com qualquer nome, com 
qualquer palavra. Por exemplo: Ana Ce-
 c*lia* Gud*lia* de 
Gurruf*lia* de Maracut*lia* Xiringa-
<p>
 but*lia*. J imaginou os 
bonecos falando esse palavreado repleto de sapituca?

Objetos de Cena

  Imagine um boneco com uma enxada capinando matinho. Imagine dois bonecos carregando uma faixa com uma mensagem sobre a Reforma Agrria. Esses objetos, carregados pelos bonecos, trazem uma vida especial para o teatro.

Conversa com a Platia

  O(a) apresentador(a), antes de anunciar a histria, brinca e provoca a platia. As personagens, durante a histria, tambm conversam e provocam a platia, pedem sugestes, convidam para participar da cena com pequenas falas, palmas, assovios... Os bonecos podem pedir, por exemplo, a opinio da platia sobre a atitude de alguma personagem. Podem, ainda, pedir para a platia cantar uma msica, repetir uma frase, um trava-lngua, uma trova etc.
  Ufa! No se assuste com tantos ingredientes. Experimentando, ensaiando, trocando idias e sugestes, o espetculo vai sendo montado. E ateno, ateno! Um, d, l, si, vamos e j! O espetculo vai comear!

               oooooooooooo

<163>
<p>
Glossrio

  As explicaes aqui apresentadas referem-se especificamente ao 
sentido com que as palavras foram utilizadas no texto. 
  Boa consulta!

<R+>
 -- A
 Acampadas: provisoriamente instaladas. Diz-se das famlias de 
trabalhadores sem terra que vivem em barracas de lona e plstico, de 
maneira precria, acampadas em fazendas ou pro-
  priedades consideradas 
improdutivas, reivindicando o direito sobre elas.
 Assentado: diz-se de famlia ou trabalhador que deixa de ser sem terra ao adquirir legalmente o usufruto da terra para produzir. Quando uma rea  reconhecida judicialmente como rea de assentamento, os trabalhadores que nela residem tm o direito de plantar, colher, consumir e comercializar tudo o que foi produzido nessas terras.
<164>

 -- B
 Bananeira: movimento da capoeira em que o capoeirista movimenta-se de cabea para baixo apoiado em suas mos.
 Banidos: expulsos da ptria, deportados, condenados a viver em outro pas.
 *Bar mitzvah*:  uma festa hebraica, uma cerimnia religiosa do povo judeu reservada aos meninos quando fazem 13 anos. Na ocasio, os meninos se tornam *bar mitzvah*, ou seja, comeam a ser responsveis pelos prprios atos e devem cumprir e obedecer s leis da religio judaica tal como um adulto. Na lngua hebraica, *bar* significa "filho" e *mitzvah*, "obrigao religiosa".

 -- C
 Cabacinhas: frutos de casca dura, repletos de sementes. Tambm so conhecidas como *poronguinhas* ou *porongos* em algumas regies do Brasil.
<165>
 Caqueret:  o mesmo que cateret, dana indgeno-africana.
 Cardeal-arcebispo:  um ttulo dado a um membro da Igreja Catlica e quem o recebe ocupa um cargo bastante alto na hierarquia da Igreja.
 Caxambu: nome de um instrumento musical, uma espcie de tambor. Tambm  o nome de uma dana de origem africana, conhecida como *jongo* em algumas regies do pas.
 Censura: ato de proibir, impedir que idias e informaes sejam manifestadas publicamente. Durante o perodo em que os militares governaram o pas, rgos de censura foram criados para impedir a criao e a apresentao ao pblico de obras como peas de teatro, livros, artigos de jornais, canes etc.
<p>
 Comunidades de base: tambm conhecidas como *comunidades eclesiais de base*, so comunidades pobres, na periferia das cidades e nos campos de todo o Brasil, constitudas no final da dcada de 1970 para levar a Igreja s bases, ou seja,  parcela carente da populao, dando voz e vez aos marginalizados, incentivando as pessoas a agirem juntas para melhorar suas condies de vida.
 Contexto: conjunto, todo, totalidade, o espao de tempo em que vivem os sujeitos histricos.
 Correntes imigratrias: as diferentes populaes de estrangeiros que entram em um pas (que no  o seu pas de nascimento) para trabalhar, morar, viver.
 Corta-capim: movimento da capoeira no qual o capoeirista, agachado em uma das pernas, estira a outra rente ao cho e, com o apoio de uma das mos, varre em semicrculo o espao onde se apia o p do oponente, como se fosse dar uma rasteira.
<166>
<p>
 -- D
 Democracia: sistema de governo que acata a vontade da maioria da populao, embora respeitando os direitos e a livre expresso das minorias. Na democracia o povo toma as decises importantes a respeito das polticas pblicas e as aes atendem aos interesses populares.
 Discriminao: ato de separar, segregar, pr  parte um indivduo ou um grupo, tratando-o de forma injusta devido a caractersticas pessoais; intolerncia; preconceito.

 -- E
 tnicos: diz-se que um grupo tem a mesma etnia quando a lngua, as 
caractersticas fsicas e culturais so semelhantes. Entre os povos 
indgenas, por exemplo, existem vrios grupos tnicos: os Xavante so um grupo tnico, os Guarani so ou-
  tro. Ambos so povos indgenas, mas apresentam diferenas entre si: falam lnguas diferentes, tm hbitos, costumes e caractersticas fsicas diferentes.

 -- F
 Fabris: referente a fbricas.
 Fifa: sigla de Federao Internacional de Futebol
  Association. Fundada em 1904, essa entidade  responsvel pela organizao da Copa do Mundo, realizada de 4 em 4 anos.
 Funai: Fundao Nacional do ndio.  o rgo do governo brasileiro que estabelece e executa a poltica indigenista no Brasil, dando cumprimento ao que determina a Constituio de 1988. Isso significa que  atribuio da Funai: promover a educao bsica indgena; demarcar, assegurar e proteger as terras por eles tradicionalmente ocupadas; estimular o desenvolvimento de estudos e levantamentos sobre os grupos indgenas; defender suas comunidades; despertar o interesse da sociedade pelos povos indgenas e suas causas; gerir o seu patrimnio e fiscalizar as suas terras, impedindo as aes predatrias de garimpeiros, posseiros, madeireiros e quaisquer outras que ocorram dentro dos limites de seus territrios e que representem um risco  vida e  preservao desses povos. 

 -- G
 Gregoriano: nome do calendrio que utilizamos hoje no Brasil e em boa parte do mundo, dado em homenagem ao papa Gregrio XIII, que o instituiu.
<167>

 -- I
 Ideais humanitrios: idias ou aes daqueles que visam o bem-estar da humanidade.
<p>
 -- J
 Jogue: possivelmente se refere a *jongo*, que  uma dana afro-
  -brasileira.

 -- M
 Marginalizados: pessoas que no tm direitos assegurados (garantidos) para viver com dignidade; que vivem  margem da sociedade. Quando dizemos que alguns grupos so marginalizados, estamos pensando em todas as pessoas que, por diversos fatores sociais, econmicos e polticos, no participam plenamente da sociedade em que vivem.
 Mazuca: tambm conhecida como *mazurca*, dana de origem polonesa, muito praticada no Brasil no final do sculo XIX.
 Meia-lua: movimento da capoeira no qual o capoeirista d um pontap, girando a perna de dentro para fora, para atingir o adversrio com a face lateral interna do p, fazendo um semicrculo no ar.
 Milenar: que tem mil anos ou mais. 
 Movimentos abolicionistas: foram os movimentos pblicos pela libertao dos escravos. Esses movimentos contavam com o apoio de vrias pessoas da sociedade: artistas, polticos, intelectuais, profissionais liberais (advogados, professores, jornalistas) e militares. Tambm conhecidos como *campanhas abolicionistas*.
 Municpio:  uma das divises administrativas de um Estado. Os municpios possuem reas urbanas e rurais e so governados pelos prefeitos e vereadores. Nos meios de comunicao, de uma forma geral, a palavra *cidade*  usada como sinnimo de municpio.
<168>
 Mutiro: mobilizao coletiva para auxlio mtuo de carter gratuito. Pode ocorrer diferentes tipos de mutiro e em diferentes lugares: entre trabalhadores do campo, por ocasio de roada ou colheita; mutiro para limpeza do lixo da orla da praia, de uma praa etc.; mutiro para a construo de moradias etc.

 -- P
 Papa: autoridade mxima da Igreja Catlica. 
 Paralisaes: interrupes temporrias do trabalho.
 Pastorais: instituies ligadas  Igreja Catlica cujo desafio  
criar uma conscincia mundial na tentativa de fazer valerem os 
direitos cristos -- que, nessa ideologia, tambm significam os direitos civis -- de favelados, desempregados, moradores da periferia, negros, operrios, sem-terra, presidirios, indgenas, mulheres e organizaes sindicais ou comunitrias. No Brasil, so bastante atuantes as Pastorais da Terra e da Criana.
 Piquetes: grupos de pessoas que ficam na entrada de fbricas para impedir que os funcionrios entrem nas ocasies de greve. 
 Pr-adolescentes: aqueles(as) que esto prximos(as) da adolescncia. A adolescncia estende-se aproximadamente dos 12 aos 20 anos.
<169>

 -- Q
 Quilombos: lugares onde os escravos que fugiam passavam a viver. Geralmente os quilombos ficavam em lugares difceis de serem localizados.

 -- R
 Regio do ABCD: regio do estado de So Paulo que compreende as cidades de Santo Andr, So Bernardo do Campo, So Caetano do Sul e Diadema. Nessa regio esto localizadas muitas empresas automobilsticas.
<p>
 Reserva indgena: rea delimitada, demarcada judicialmente para ser ocupada por um povo indgena. 
 Retirante: pessoa que parte de sua regio (geralmente rida) para outros lugares, fugindo da seca, em busca de melhores condies de vida e de trabalho; o mesmo que migrante.

 -- S
 Se naturalizou: naturalizar-se  tornar-se cidado de um pas estrangeiro.  quando uma pessoa adquire em um pas estrangeiro (ou seja, que no  o seu pas de nascimento) os direitos reservados s pessoas que ali nasceram. Um italiano, por exemplo, pode se naturalizar brasileiro.
<170>
 Sem-teto: grupo de pessoas que se organizam para lutar por moradia. 
Os sem-teto seriam os equivalentes urbanos dos sem-
  -terra, que lutam pela terra no campo, na rea rural. Muitas pessoas fazem parte do grupo dos sem-teto, desde as que no tm nenhum tipo de abrigo at aquelas que vivem em cortios, reas de risco e todo tipo de habitaes precrias.
 Seminmades: povos nmades so aqueles que vivem em constante movimento, mudando-se de um lugar para outro, sem fixar residncia em nenhum lugar. *Seminmades* so os povos que, apesar de fixarem uma base em determinado lugar, como uma aldeia, por exemplo, permanecem longos perodos longe dessa base.
 Serto: lugar afastado, isolado, sem cultivo. No Brasil, costumamos chamar de serto as reas longe do litoral, que ficam no interior do territrio brasileiro. O serto nordestino, por exemplo,  uma regio muito seca, pouco povoada.
<171>
 Sindicatos: associaes de pessoas que exercem uma mesma profisso e que se organizam para defender seus direitos e interesses.

 -- T
 Teatro de mamulengo: teatro de bonecos, de fantoches. A palavra mamulengo originou-se da expresso "mo molenga", mo mole, flexvel, pois a pessoa que mexe o boneco precisa ter grande flexibilidade nas mos para "dar vida" a eles.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

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<P>
<R+>
 Caminhos on-line para saber mais
<R->

  *Ateno*: Estes endereos foram acessados em maro de 2004.  possvel que alguns tenham sido alterados ou que alguns sites tenham sido atualizados.

<R+>
Unidade 1

Captulo 1
 ~,http:www.metro.sp.gov.br~, -- Apresenta a histria das linhas, curiosidades e uma galeria de imagens do metr de So Paulo.

Captulo 3
 ~,http:www.cemporcentoskate.~
  com.br~, -- Traz informaes e entrevistas ligadas ao mundo do skate.
 ~,http:www.infobrasilia.~
  com.br~, -- Traz informaes sobre Braslia, sua histria, fotos de sua construo, curiosidades sobre a cidade etc.
 ~,http:www.triboskate.~
  com.br~, -- Traz reportagens e informaes sobre skate.
 ~,http:www.pletz.com~, -- Site com informaes sobre cultura, histria e religio judaica.
 ~,http:www.cipsp.org.br~, -- Apresenta informaes sobre cultura, histria e tradies judaicas.

Unidade 2

Captulo 1
 ~,http:www.djweb.com.br~
  historia~, -- Site com informaes sobre o povo Guarani e um breve histrico da aldeia Tekoa Sapukai.
 ~,http:www.funai.gov.br~, -- Traz informaes sobre os povos indgenas do Brasil.
 ~,http:www.itaucultural.~ 
  org.br~, -- Apresenta pginas com ilustraes de povos indgenas 
feitas por artistas viajantes no sculo XIX. Clique em
<p>
  "biblioteca" e 
busque por "pintores viajantes".
 ~,http:www.museu.ucdb.br~
  portetnobororo.htm~, -- Permite que se conhea um pouco do modo de vida do povo Bororo.
 ~,http:www.museu.ucdb.br~
  portetnoxavante.htm~, -- Apresenta informaes sobre o povo Xavante.
 ~,http:www.paraty.com.br~
  guarani.htm~, -- Traz informaes sobre os Guarani.

<173>
Captulo 2
 ~,http:www.canalkids.com.~
  brculturahistoria~
  abolicionistas2'htm~, -- Apresenta
informaes sobre a escravido, os abolicionistas etc.
 ~,http:www1'uol.com.br~
  folbrasil500zumbi_1.~
  htm~, -- Traz textos sobre Zumbi e o Quilombo dos Palmares.
 ~,http:www.comciencia.br~
  reportagensnegros01.~
  shtml~, -- Traz uma srie de artigos e reportagens sobre a questo racial, a histria da escravido e o movimento negro.
 ~,http:www.africadosulemb.~
  org.br~, -- Site com fotos do continente africano.
 ~,http:www.mundonegro.~
  com.br~, -- Traz notcias da comunidade negra brasileira.
 ~,http:www.portalafro.~
  com.br~, -- Traz notcias e entrevistas atuais, bem como informaes sobre as artes, a culinria, a religio, as revistas e as entidades que representam os negros brasileiros.

Captulo 3
 ~,http:www.mst.org.br~, -- Site do MST. Apresenta textos sobre a histria do MST, informaes de eventos, atividades etc.
 ~,http:www.truks.com.br~, -- Site da premiada Companhia Truks, que trabalha com teatro de bonecos manipulados.
<p>
Unidade 3

Captulo 2
 ~,http:www.historianet.~
  com.brmain~
  mostraconteudos.~
  asp?conteudo=30~, -- Apresenta texto sobre a Revoluo Industrial.
 ~,http:www.~
  memorialdoimigrante.sp.gov.br~, -- Traz documentos histricos da migrao e imigrao no pas e informaes de exposies.
 ~,http:www.museudarepublica.~
  org.br~, -- Traz um amplo acervo sobre o perodo getulista.

Captulo 3
 ~,http:www.portoalegre.~
  rs.gov.br~, -- Site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, em que h informaes sobre a cidade e passeio virtual com cenas de Porto Alegre.
 ~,http:www.redeceas.esalq.~
  usp.br~, -- Site da Rede Brasileira de Centros de Educao Ambiental (CEAs) em que voc pode conhecer outros projetos como os das mulheres de Vila Pinto.
 ~,http:www.voluntariado.org.~
  br~, -- Neste site do Centro de Voluntariado de So Paulo,  possvel conhecer alguns trabalhos realizados por membros dessa entidade e se inscrever como voluntrio na cidade de So Paulo.
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

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Outras sugestes de leitura para saber mais

_`[Se voc quiser ler algumas das obras listadas a seguir, pea a seu professor que providencie um exemplar em braille_`]
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Unidade 1

 *As aventuras do corcel audaz*, de Eduardo Silveira Melo Rodrigues. So Paulo: Atual, 2003.
 *Breve histria do futebol brasileiro*, de Jos Sebastio Witter. So Paulo: FTD, 1996.
 *Dicionrio judaico de lendas e tradies*, de Alan Unterman. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1992.
 *O Estado Novo*, de Luiz Galdino. So Paulo: tica, 2003.
<p>
Unidade 2

 *A escravido no Brasil: trabalho e resistncia*, de Jlio Quevedo e Marlene Ordoez. So Paulo: FTD, 1999.
 *A escravido no Brasil colonial*, de Maria da Glria Porto Kok. So Paulo: Saraiva, 2003.
 *A questo do ndio*, de Fernando Portela e Betty Mindlin. So Paulo: tica, 2002.
 *As viagens do acar*, de Ana Maria Magalhes e Isabel Alada. So Paulo: Scipione, 2000.
 *Cidadania, vamos entrar nessa?*, de Adriana Ramos e outros. So Paulo: FTD, 1998.
 *O rei preto de Ouro Preto*, de Sylvia Orthoff. So Paulo: Global, 2003.
 *O trabalho nos engenhos*, de Etelvina Trindade. So Paulo: Atual, 1999.
 *Palmares*, de Luiz Galdino. So Paulo: tica, 2003.
 *Reforma Agrria*, de Fernando Portela e Bernardo Manano. So Paulo: tica, 1997.
 *Revolta das senzalas*, de Ana Lcia Duarte Lanna. So Paulo: tica, 2003.
 *Salvador, capital da colnia*, de Avanete Pereira Sousa. So Paulo: Atual, 1999.

Unidade 3

 *Imigrantes: viagem, trabalho, integrao*, de Plnio Carnier Jnior. So Paulo: FTD, 2000.
 *Migraes: da perda da terra  excluso social*, de Ana Valim. So Paulo: Atual, 2003.
<p>
 *O tempo tem linha?*, de Adelidia Chiarelli e Lcia Maria Paleari. 
So Paulo:
  Unesp/Imprensa Oficial, 2000.
<R->

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Obra
